Mais do mesmo – Opinião de Luís Garcia
Publicado em 21 de Outubro, 2015

1. A anteproposta de plano para 2016 do Governo Regional no que ao Faial diz respeito é mais do mesmo. Estes documentos são, ou deviam ser, importantes para quem governa e para quem é governado. Porém, estão totalmente descredibilizados, pois a diferença entre aquilo que neles se escreve e aquilo que se faz vai uma distância abismal. Porque os números falam por si, aqui fica neste quadro a diferença entre os milhões que são anualmente inscritos nos planos para o Faial, desde 2007, e os que são efetivamente executados:

PLANOS FAIAL EXECUCAO 21OUT2015

Perante estes números há muito que defendo, nomeadamente no Conselho de Ilha, que mais importante do que analisar e elogiar as verbas inscritas nos planos é analisar a sua execução e exigir explicações ao Governo.

2. A credibilidade deste plano para 2016 também tem de ser avaliada tendo em conta que estamos perante o último desta legislatura (2012-2016). Assim temos de verificar se aquilo que nos foi prometido no manifesto do PS, em 2012, está ou vai ser cumprido. E a resposta é que, infelizmente para o Faial, a grande maioria não vai ser cumprida nesta legislatura.

Daqui também se conclui que com este Governo e com este PS não podemos acreditar nos manifestos eleitorais, nos planos regionais, na Carta Regional de Obras Públicas e muito menos podemos acreditar na palavra dos seus governantes e dirigentes.

3. Vista a credibilidade destes documentos, avaliemos agora a estratégia a eles subjacente. E aqui também é mais do mesmo, ou seja, é sempre a mesma. Tudo é feito e preparado em função das datas das eleições regionais. Ao longo da legislatura vão entretendo os Faialenses e empurrando as obras para lançar a primeira pedra ou cortar a fita na campanha eleitoral. Vejamos dois exemplos.

A construção do matadouro estava prometida para a legislatura 2008-2012. Não foi cumprida. Em Setembro de 2012, em plena época eleitoral, foi apresentado o projeto e feita nova promessa: “o início das obras estão previstas para 2013 e têm um prazo de 12 meses, esperando-se assim que estejam prontas em 2014”. As obras não começaram em 2013, nem em 2014, nem se vão iniciar em 2015! Começarão em 2016, ano eleitoral? A verdade é que não tivemos matadouro na legislatura 2008-2012 e não o vamos ter na de 2102-2016.

4. Outro investimento estruturante para o Faial é a segunda fase do reordenamento do porto que também foi prometida para esta legislatura. Em 2014 para este investimento estavam inscritos no plano cerca de três milhões de euros. Em 2015 estavam inscritos quatro milhões e seiscentos mil euros. Para onde foram todos estes milhões? Para 2016 estão inscritos na anteproposta quatro milhões e setecentos mil euros.

Será desta que a intervenção se inicia? Uma primeira pedra ou um projeto só porque o ano é de eleições!

5. Mas a situação a que o Faial chegou não é apenas fruto das más execuções dos planos regionais ao longo dos anos. É também o resultado de um conjunto de políticas regionais desadequadas, que há muito denuncio, e que têm procurado desvalorizar e esvaziar o Faial. Isso hoje é absolutamente claro.

Desde o retrocesso nas acessibilidades aéreas, ao abandono da ampliação da pista do aeroporto, à desvalorização do nosso hospital, à aprovação das plataformas logísticas, ao encerramento da Estação Radionaval e a sua transferência para S. Miguel, à falta de investimento nas Termas do Varadouro quando o fizeram em outras ilhas, ao cancelamento de investimentos importantes com a Variante e até ao desenvolvimento desequilibrado do Triângulo, com a cumplicidade do Governo Regional, como episódios recentes demonstram.

Estamos a viver e a sentir os resultados de tudo isso! Mas os responsáveis por esta situação difícil que o Faial atravessa não são só do Governo Regional. Há responsáveis locais, especialmente a subserviência dos dirigentes locais do PS. Mas também a apatia geral da maioria dos Faialenses que tem legitimado, com o seu voto, este caminho de desvalorização do Faial e a inação e as omissões do nosso poder camarário.

Portanto, a inversão deste rumo exige de todos uma outra atitude na defesa do Faial com maior exigência nas reivindicações e no cumprimento daquelas que são as nossas responsabilidades. Caso contrário, continuaremos a ter mais do mesmo!