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O Eurodeputado Paulo do Nascimento Cabral, promoveu a exibição do documentário “Mulheres de Mar – Açores”, da realizadora Raquel Clemente Martins, no Parlamento Europeu. O evento contou com a co-organização da “Oceana” e da “Câmara de Comércio Belgo-Portuguesa”, reunindo largas dezenas de participantes, entre eurodeputados, representantes de organizações não governamentais e público em geral interessado nestas temáticas.

Para Paulo do Nascimento Cabral “foi de facto, um enorme orgulho celebrar mais uma vez os Açores no Parlamento Europeu com este excelente documentário e, ao mesmo tempo enaltecer aquele que é o papel da mulher no setor das pescas, no mar e na Economia Azul. De facto, é preciso darmos voz a quem muitas vezes não a tem, e muitos dos relatos que ouvimos foram muito comoventes e assertivos”.

Na abertura do evento que contou com uma mensagem de vídeo da Presidente do Parlamento Europeu Roberta Metsola a enaltecer as mulheres e os Açores enquanto Região Ultraperiférica, o Eurodeputado do PSD lembrou que “de acordo com dados da FAO, a nível mundial, o setor das pescas e da aquicultura emprega cerca de 62 milhões de pessoas apenas na produção primária. As mulheres representam aproximadamente 24% da força de trabalho e, em 2022, 53% das mulheres empregadas no setor trabalhavam a tempo inteiro, um aumento significativo face a 1995, quando eram apenas 32%. Os dados indicam ainda que, em 2020, as mulheres representavam apenas 3,63% da mão de obra embarcada em embarcações de pesca, 22% do emprego no setor da aquicultura e 56,2% da força de trabalho na indústria de transformação do pescado”. O estudo do Parlamento Europeu “Women in Fisheries: State of Play and Progress on Gender Equity in the EU” apresenta uma visão abrangente da participação feminina no setor. “Em muitos Estados-Membros, as mulheres desempenham sobretudo funções em terra, assegurando tarefas administrativas, contabilidade, vendas, logística, manutenção de artes de pesca e gestão de empresas familiares. As mulheres desempenham um papel fundamental, embora frequentemente invisível, especialmente na pesca de pequena escala e nas empresas familiares, sendo frequentemente excluídas das estatísticas oficiais de emprego e dos sistemas de proteção social”.

Paulo do Nascimento Cabral destacou o papel dos Açores na indústria conserveira: “A indústria de transformação do pescado é o único segmento do setor das pescas em que as mulheres constituem a maioria da força de trabalho, com mais de 56%. Os Açores, a minha região de origem e o foco deste documentário, é atualmente a única Região Ultraperiférica da UE onde ainda se processa peixe, nomeadamente atum, com várias unidades de transformação, onde é produzido atum enlatado, capturado com métodos tradicionais e sustentáveis. A nível global, neste sector, ainda persistem desigualdades de género, pois as mulheres encontram-se sobrerepresentadas em tarefas manuais, repetitivas e de menor remuneração — como filetagem, embalagem e rotulagem — mas não devidamente representadas em cargos de chefia e de tomada de decisão”.

Segundo Paulo Nascimento Cabral “este documentário encontra-se muito bem construído ao abordar o papel da mulher no mar e nas pescas em camadas. A narrativa inicia-se numa visão tradicional, em que a mulher surge sobretudo como ‘a mulher do pescador’ — aquela que cuida dos filhos, permanece em terra e espera pelo regresso do marido, dependente das condições do mar: “se houver bom tempo, para garantir o alimento; se houver mau tempo, pelo menos que a embarcação chegue em segurança ao porto”, como é referido no próprio documentário. O filme evolui depois para a dimensão pessoal e espiritual da relação com o mar, passa a evidenciar a participação das mulheres na economia azul e na ciência, e termina com as preocupações relacionadas com a defesa dos nossos oceanos, nomeadamente o combate ao lixo marinho, a poluição por microplásticos e a proposta de medidas de conservação”.

O Eurodeputado voltou a destacar o “papel de liderança dos Açores na proteção do seu mar, sublinhando a designação de 30% do espaço marítimo da região como Área Marinha Protegida, o que valeu também o reconhecimento internacional dos Açores como “Hope Spot” do planeta, atribuído pela oceanógrafa Sylvia Earle, no âmbito da iniciativa global dedicada à conservação dos oceanos”.

Após a projeção do vídeo, seguiu-se um debate muito interessante e até emotivo, que contou com participação de todos os intervenientes, centrado nas principais preocupações relacionadas com a integração e valorização do papel da mulher no setor, bem como nos desafios futuros associados à proteção dos nossos oceanos.

A concluir as suas declarações, Paulo do Nascimento Cabral deu nota de que “este foi um momento de enorme orgulho por vermos tantas mulheres envolvidas numa área que nos diz tanto. Se no passado estivemos tantas vezes de costas para o mar e a recear o que ele nos trazia, hoje em dia queremos conhecê-lo melhor, investigá-lo e protegê-lo, porque sabemos que é fonte de vida, de alimento e essencial para a própria sobrevivência do planeta e de todos nós. As mulheres do mar são, efetivamente, diferentes”.