Matérias-primas. Paulo Moniz alerta para urgências de autonomia industrial e energética

O deputado à Assembleia da República Paulo Moniz alertou hoje “para a urgência da autonomia industrial e energética que também tem consequência nos arquipélagos europeus”, face “à escassez de matérias-primas, à urgência de produção e armazenamento de energia produzida a partir de fontes renováveis, e à garantia do seu fornecimento sem interrupções às populações e à indústria”.

O social-democrata falava no Senado, em Paris, na Conferência Interparlamentar sobre a Autonomia Estratégica Económica da União Europeia na qualidade de vice-presidente da Comissão de Assuntos Europeus, onde lembrou que, a esse nível, “a política industrial da União Europeia tem de melhorar a sua competitividade, especialmente nesta nova realidade global em que as dependências do exterior são grandes, o que está a afetar em larga escala a nossa economia”.

“O conflito armado entre a Rússia e a Ucrânia veio reforçar a realidade da dependência energética da indústria europeia, no seu todo, e devemos ter essa consciência, também ao nível das matérias-primas”, sublinhou.

O deputado diz que a Europa tem uma grande dependência industrial, “que se reflete nos mercados e no acesso às matérias-primas, gerando escassez, e por consequência custos bastante mais elevados. E isso acontece com outras potências mundiais, a nível industrial e energético equiparadas à Rússia”.

“Acresce a impossibilidade de as ilhas europeias fazerem parte e interligarem-se às redes de distribuição de energia”, o que exige “um novo equilíbrio dos programas comunitários que apoiam o recurso às energias renováveis”, reiterou.

Para Paulo Moniz, “tem de haver um sério investimento no seu armazenamento, de forma a garantir a continuidade do fornecimento de energia às populações”, afirmou.

O deputado considerou mesmo que “o nosso setor energético merece outro tratamento, e quando falamos de União Europeia, não nos podemos esquecer das ilhas europeias. E isso acontece com Portugal, mas também com a Espanha e com a França, que têm igualmente ilhas e arquipélagos”, referiu.

“Deve investir-se mais nas energias renováveis e limpas, mudando-se o paradigma, numa questão ambiental que também se põe ao nível dos fundos marinhos, onde o nosso arquipélago tem a maior riqueza de metais preciosos da Europa, que não deve ser explorada a qualquer custo e de qualquer maneira”, defendeu.

“Há uma grande preocupação sobre o tipo de exploração ou mineração que poderá acontecer nos mares açorianos, até pela nossa soberania territorial, neste caso a Zona Económica Exclusiva, onde os Açores devem ter sempre uma palavra a dizer”, acrescentou.

“A Europa não tem dado a devida atenção a essa nossa preocupação e aos desafios que se colocam a esse nível”, disse igualmente Paulo Moniz.