Futuro da Europa. Paulo Moniz defende aposta em ecossistemas digitais nos Açores

O deputado à Assembleia da República Paulo Moniz defendeu ontem a criação de ecossistemas digitais nos Açores para que haja melhores condições da Região receber mais nómadas digitais, “sendo para isso essencial a substituição dos cabos submarinos de fibra ótica que nos ligam ao Continente”, afirmou.

O social-democrata falava durante a Conferência sobre o Futuro da Europa – sobre Inovação e Empreendedorismo na Europa Digital -, realizada na Reitoria da Universidade de Aveiro, onde frisou que “os Açores podem ser um paraíso para os nómadas digitais, desde que exista a capacitação tecnológica do arquipélago, um processo que tarda em resolver-se”, apontou.

O deputado lembrou que “não está definido o processo de substituição dos cabos de fibra ótica submarinos que ligam os Açores e a Madeira ao Continente”, que é “urgente, sendo que, já em 2018, a ANACOM chamou à atenção para essa necessidade, num alerta que por várias vezes também expusemos no Parlamento”, disse Paulo Moniz.

“Trata-se de uma indefinição que não se pode aceitar, até porque acredito que, quando for resolvido esse importante problema estrutural, vai intensificar-se a presença de nómadas digitais nos Açores”, adiantou.

“Estamos a falar de pessoas capacitadas, que realizam as tarefas da sua profissão de maneira remota, não dependendo de uma base fixa para trabalhar, e que conduzem seu estilo de vida de uma maneira nômada, desde que tenham as mesmas condições de comunicações que em qualquer outra parte do mundo, como deve acontecer nos Açores”, reforçou o parlamentar.

“Essas pessoas poderão contribuir para a comunidade e para a economia local, usufruindo naturalmente das vantagens de quem vive nas nossas ilhas, mas difundindo um know-how, que normalmente não estaria disponível”, acrescentou.

Para Paulo Moniz, “esse é um processo que pode resultar como catalisador desta realidade do trabalho à distância. E facilmente a Região pode também ser uma referência tecnológica a esse nível”, garantiu.

O deputado açoriano alertou igualmente para “a oportunidade criada pela prevista digitalização massiva do tecido empresarial, que resultará numa mudança de paradigma, a par da criação de valor acrescentado dos produtos e da dinamização sustentada do setor privado de produção de bens transacionáveis na Europa”

Em causa estão “verbas comunitárias destinadas também à transição digital, que estão contratualizadas, tendo de haver capacidade para a sua realização, garantindo um impacto duradouro na economia e na vida dos cidadãos, pelo que é urgente que um ecossistema de inovação empresarial sustentada nos Açores seja uma realidade a curto prazo”, concluiu Paulo Moniz.