Terceira. António Ventura acusa governos socialistas de deixarem a ilha para trás

O deputado do PSD/Açores na Assembleia da República António Ventura acusou esta quarta feira os governos socialistas de deixarem a Ilha Terceira “para trás”, como se tem visto “com a Base das Lajes, o PREIT e a descontaminação dos solos e aquíferos”, avançou.

Numa declaração política, o social democrata lembrou que o Plano de Revitalização Económica da Ilha Terceira (PREIT) previa mais de 300 milhões de euros “para atenuar a redução que, em 2015, os Estados Unidos (EUA) fizeram no seu contingente militar na Base das Lajes”.

“Face a isso, o Governo Regional agrafou, apressadamente, um conjunto de promessas não cumpridas e prometeu outras, dividindo a responsabilidade com a República”, recordou.

“E a primeira vez que questionei o Ministro dos Negócios Estrangeiros sobre o PREIT, Santos Silva disse que o mesmo valia zero. Uma resposta esclarecedora do seu conhecimento e do interesse do Governo sobre o documento”, frisou.

O PREIT inclui a descontaminação dos solos e aquíferos da Praia da Vitória, “que após muita pressão política lá se iniciou, não se sabendo o que está feito e o que falta fazer”, aponta o deputado açoriano, para quem a importância dada ao processo “se viu, recentemente, com o Ministro do Ambiente a ir à Terceira e a não prestar declarações sobre o assunto. O Governo Regional manteve-se caladinho, sem exigência, sem reivindicação e sem protesto”, afirmou.

Sobre a Base das Lajes, “um tema de Estado, que os ambos os governos deviam ter sempre na agenda política, há cinco anos que se ouvem as promessas da criação de novas valências e nada ocorreu”.

“Os dois governos não se entendem e isto prejudica o avanço de qualquer negociação, com os diplomatas dos EUA no nosso país a afirmarem que uma eventual revisão do Acordo da Base das Lajes deve partir da iniciativa de Portugal e o Governo da República a não querer rever o acordo, como pretende o Governo Regional. Em que ficamos?”, questionou.

António Ventura acredita que os Açores “podem obter benefícios na área da geostratégia, designadamente no desenvolvimento do emprego local e no desejado e imprescindível processo de internacionalização da economia regional. Para tal, tem de haver um conceito que proporcione uma linha de orientação”, defendeu.

Sobre o Porto da Praia da Vitória, “para onde o PREIT previa que se investissem 77 milhões de investimento na instalação de GNL para abastecimento de navios, muito prometeram, muito têm falado e nada fizeram”, explicou.

“Nem um cêntimo foi gasto, fazendo-se tábua rasa da Declaração Conjunta assinada entre os dois Governos em 2016, que anunciou a candidatura ao Plano Juncker. Nem sequer a Estratégia nacional para o Mar 2021-2030 faz referência ao Porto da Praia da Vitória”, concretizou o deputado.

António Ventura criticou ainda a falta de isenção da Autoridade Tributária (AT), “um serviço público que enviou um email aos açorianos, informando sobre a possibilidade do voto antecipado. Um email assinado pelo Governo Regional e a dizer “O futuro dos Açores está nas suas mãos”, relembrou.

“As pessoas contam receber da AT mensagens ligadas ao sigilo fiscal, numa comunicação direta com os contribuintes e não com os eleitores. A relação com o eleitor deve ser da responsabilidade da Comissão Nacional de Eleições”, considerou.

O deputado lamentou que o PS use “todos os meios para fazer campanha eleitoral”, alertando que “não vale tudo nem são donos de tudo”, concluiu António Ventura.