Refeições escolares. Valores praticados impedem garantia de qualidade para os estudantes da Região

A deputada do PSD/Açores Maria João Carreiro considerou hoje que os valores praticados no fornecimento de refeições escolares na Região “impedem a qualidade necessária para uma alimentação saudável dos nossos alunos”, adiantou.

“Cada vez mais a confeção dessas refeições é assegurada por empresas do ramo, exigindo-se que os cadernos de encargos obedeçam aos requisitos de segurança alimentar, qualidade nutricional e quantidade recomendada para crianças e jovens em idade escolar”, explica.

Mas, depois de consultados os vários cadernos de encargos e os valores contratualizados, questionou como ser possível garantir o fornecimento de refeições nutricionalmente equilibradas por 1,54€ ou por 1,28€.

Assim, é mesmo “o valor da contratualização das refeições escolares nos Açores a impedir quer a alimentação saudável nas escolas seja uma prioridade dos decisores políticos da Região”, afirmou.

Segunda a deputada, “também é exigível uma rigorosa ação fiscalizadora por parte da tutela e das escolas, quanto ao cumprimento dos critérios exigidos”, disse.

Lembrando que houve “uma norma introduzida em sede de orçamento regional para 2020, que reforçou o custo máximo das refeições, mais isso não garante a qualidade e valor nutricional das mesmas”, explicou.

“Porque pagar mais não significa melhor qualidade no serviço prestado, mesmo se o valor de contratualização das refeições escolares tem de permitir que a entidade adjudicada garanta a qualidade e valor nutricional que se exige”, defendeu Maria João Carreiro.

A social democrata frisou que os maus hábitos alimentares “têm repercussões ao nível da saúde, com consequências no aproveitamento escolar dos alunos”.

Aliás, “Os Açores são a região do país com a mais alta taxa de obesidade infantil”, afirmou Maria João Carreiro.

A deputada defende que a opção dos alunos pelo refeitório “é, ou pelo menos devia ser, vantajosa quer do ponto de vista nutricional, quer do ponto de vista energético quer da relação entre os diferentes nutrientes”.

“Pelo que as escolas devem criar cenários valorizadores de uma alimentação saudável, não só através dos conteúdos curriculares mas também da oferta alimentar em meio escolar, para que todas as crianças e adolescentes jovens sejam progressivamente capacitados a fazer escolhas saudáveis”.

A deputada do PSD/Açores reconheceu ainda o princípio subjacente a uma iniciativa apresentada ontem em plenário sobre o assunto, lamentando apenas que a mesma “não tenha sido bem materializada”, o que motivou a abstenção da sua bancada.