Greve dos estivadores. Paulo Moniz propõe requisição civil previdente para proteger população e economia dos Açores

O deputado do PSD/Açores na Assembleia da República, Paulo Moniz, propôs hoje que o Governo da República decrete a requisição civil dos estivadores do Porto de Lisboa, isto face à notícia desta manhã da Antena 1, que dá conta de que os serviços mínimos para as regiões autónomas “podem não ser cumpridos, dado que a Associação de Empresas do setor admite não conseguir cumprir esses serviços mínimos”, referiu.

“Há que antecipar e proteger a economia dos Açores. Se a empresa de trabalho portuário diz que dificilmente haverá condições para cumprir os serviços mínimos, então só existe uma solução: ser previdente e decretar a requisição civil”, diz o social democrata, frisando que, “ainda mais nesta altura, quando não sabemos o real impacto do COVID-19, também nos Açores, deve haver um especial cuidado aos níveis de stocks de mercadorias, não se podendo ficar à mercê de não saber o que pode acontecer”, afirmou.

Em causa está o facto de a Associação de Empresas de Trabalho Portuário de Lisboa (A-ETPL), a entidade que cede mão-de-obra às sete empresas de Estiva do Porto de Lisboa, ter comunicado, segundo noticiou a Antena 1/Açores, que a grande maioria dos estivadores está indisponível para trabalhar nas próximas semanas, o que coloca em causa a realização dos serviços mínimos.

“Estando em risco o cumprimento dos serviços mínimos, como foi noticiado, é o normal funcionamento da economia dos Açores que fica em causa, assim como o abastecimento às nossas populações. Sendo que se avizinham meses de incerteza, também por causa do Coronavírus, uma região como a nossa, totalmente dependente do transporte marítimo de mercadorias, não pode estar sujeita a esta incerteza sobre o cumprimento dos serviços mínimos”, disse Paulo Moniz.

O deputado lembrou também que o transporte marítimo de mercadorias “é essencial, por exemplo, para as indústrias de laticínios dos Açores, cujas exportações são um dos motores da economia regional”.

“Os setores exportadores da economia açoriana que necessitam do transporte marítimo de carga não podem ser prejudicados. E recorrer ao Porto de Leixões não é uma alternativa, pois as mercadorias têm que ser transportadas por via terrestre para Lisboa, com custos acrescidos para as nossas empresas”, sublinhou.

Paulo Moniz acrescentou que, “neste momento, tendo em conta a grande adesão à greve dos estivadores no Porto de Lisboa e os receios manifestados pela A-ETPL, não há uma garantia absoluta quanto ao cumprimento dos serviços mínimos”.

Segundo a Antena 1/Açores, a A-ETPL anunciou que se regista um absentismo de 48 por cento entre os estivadores, enquanto que muitos outros comunicaram à empresa de trabalho portuário a suspensão dos seus contratos de trabalho.