Transporte marítimo de mercadorias. Governo não reconhece “mau funcionamento” do modelo atual

O deputado do PSD/Açores António Vasco Viveiros afirmou que o Governo Regional insiste em não reconhecer o “mau funcionamento” do modelo de transporte marítimo de mercadorias, tal como fez durante anos em relação à necessidade de abertura do espaço aéreo.

“É quase impossível, agora que se discute mais uma vez esta matéria, não recordar o processo de alteração do modelo de transporte aéreo de passageiros concretizado em 2014, em que as resistências de muitos protagonistas e decisores políticos regionais do Partido Socialista, afinal tinham como causas próximas o mero desconhecimento das novas realidades que ocorriam no mercado da aviação comercial”, disse o social-democrata.

António Vasco Viveiros, que falava no parlamento durante um debate de urgência sobre o transporte marítimo de mercadorias, salientou que o funcionamento do atual modelo “não tem respondido às necessidades, quer quanto à regularidade do serviço, quer pelo seu custo”.

“A contestação tem sido muito elevada em diversas ilhas e em sucessivos momentos, como a grave situação de rutura do abastecimento na ilha das Flores depois do furacão Lorenzo, ou mais recentemente, ainda que em menor dimensão, na ilha Terceira”, frisou.

Segundo o parlamentar social-democrata, “o Governo Regional, como regulador, nada faz no cumprimento das obrigações de serviço público”.

“O Governo Regional assume-se como mero expectador, reagindo apenas nos momentos de maior contestação, lançando novas, mas falsas promessas. Os prejuízos acabam por ser suportados pelos açorianos e pelas suas empresas”, sublinhou.

De acordo com o deputado do PSD/Açores, “há muito tempo que as associações empresariais perceberam e concluíram pela necessidade de refletir sobre um novo modelo de transporte marítimo de mercadorias”.

“Mais uma vez, só quem assim não entende são o Governo e o PS. A resistência a qualquer alteração é de tal grandeza que o Partido Socialista inviabilizou as audições de técnicos e especialistas propostas pela oposição, no âmbito de uma iniciativa que propunha a realização de um estudo sobre o atual modelo”, recordou.

Para António Vasco Viveiros, “num modelo que funciona há cerca de 20 anos apenas com alterações residuais, é quase obrigatório estudar, analisar e equacionar todas as alternativas”.

“Mas a possibilidade de qualquer estudo vir a recomendar a alteração do atual modelo amedronta este Governo Regional, pela sua incapacidade de decisão numa matéria sensível”, concluiu.