Educação. PSD/Açores propõe reforço do papel do pessoal não docente

A deputada do PSD/Açores Maria João Carreiro defendeu o reforço do papel do pessoal não docente na concretização dos projetos educativos das escolas, alegando que tem havido uma “falta de investimento” na classe profissional.

“O PSD/Açores continua a defender a renovação e capacitação de equipas do pessoal não docente para a intervenção educativa, através de medidas como a criação de um perfil próprio de competências, no âmbito da animação sociocultural ou de acompanhamento social, ou como a colocação de jovens profissionais nas escolas”, afirmou a social-democrata, no debate das propostas de Plano e Orçamento para 2020.

Segundo a parlamentar, “o papel do pessoal não docente na concretização dos projetos educativos não pode ser desconsiderado”.

“A carência de pessoal não docente nas nossas escolas, colmatada pelo recurso a programas ocupacionais, o acesso reduzido à formação contínua e a reduzida participação destes profissionais nas tomadas de decisão dão nota da falta de investimento nesta classe”, sublinhou.

Maria João Carreiro salientou que o Governo Regional “não pode refugiar-se nos rácios para ignorar a realidade de uma classe envelhecida e precária, descurando os contextos sociodemográficos das realidades educativas onde se encontram inseridos”.

Em relação ao Orçamento para 2020, a deputada social-democrata referiu que, apesar de ser o último documento orçamental desta legislatura, o Governo Regional “não aproveitou esta derradeira oportunidade para, finalmente, planear e implementar políticas públicas capazes de responder à necessidade imperiosa e inadiável de melhorar a Educação nos Açores”.

“Esperávamos ver neste Orçamento uma ambição e determinação próprias de um Governo que devia fazer do investimento na Educação uma prioridade sem precedentes, sobretudo numa região onde uma percentagem significativa da população adulta tem um baixo nível de escolaridade, em que a taxa de abandono escolar precoce é mais do dobro da média nacional e existe uma elevada taxa de desistência e de retenção nos ensinos básico e secundário”, frisou.

Maria João Carreiro lembrou que o sucesso escolar dos alunos “depende, em grande medida, da sua condição socioeconómica”, considerando, por isso, incompreensível o corte na Ação Social Escolar previsto no Orçamento para 2020.

“Perante os índices de pobreza dramáticos na Região, como se assiste a uma redução na ordem de um milhão da verba afeta à Ação Social Escolar? Como pode o Governo Regional querer que ‘nenhum aluno fique para trás’?”, questionou.

Para a parlamentar do PSD/Açores, “o progresso da Região tem que passar por uma aposta muito forte no investimento direto nas pessoas – alunos, professores, pessoal não docente e os próprios pais”.

“Esperar que a velha receita de governar de costas voltadas para os profissionais da Educação vai produzir melhores resultados é o sinal mais óbvio de descrença e da apatia”, sublinhou.