Agricultura açoriana perde 12 milhões de euros no Orçamento para 2020

O deputado do PSD/Açores António Almeida denunciou que o investimento público na Agricultura vai diminuir 12 milhões de euros no Orçamento da Região para 2020 em comparação com o ano anterior, fazendo que o setor continue a “marcar passo”.

“Sem ter executado 24 milhões de euros em 2017 e 2018, com uma fraca execução em 2019 e menos 12 milhões de euros de investimento público total, este Governo Regional vai continuar a deixar a Agricultura e os agricultores a marcar passo”, afirmou o social-democrata, no debate das propostas de Plano e Orçamento para 2020.

Segundo o parlamentar, “com este Orçamento a internacionalização continuará a ser adiada e o melhor do mercado convencional continuará na mão da concorrência nacional”.

“A falta de uma estratégia consistente fez com que, em 2013, cerca de 81 por cento do valor dos produtos lácteos exportados se destinasse ao continente português. Em 2018, passou para a apenas 82 por cento”, disse.

António Almeida, está “tudo na mesma” em termos de comercialização dos lacticínios dos Açores, dado que “70 por cento do leite, 86 por cento do queijo, 85 por cento da manteiga e 93 por cento do leite em pó são vendidos no mesmo mercado de sempre”.

“Os produtores de leite refrigerado nos Açores recebem menos 21 por cento do que o preço médio europeu, e os produtores que entregam leite nos postos dos Açores recebem menos 30 por cento. O rendimento dos produtores de leite dos Açores continuará, assim, a afastar-se da média dos seus colegas europeus”, alertou.

De acordo com o parlamentar social-democrata, “se as políticas públicas e o comportamento das indústrias não mudarem, é legítimo exigir o desligamento das ajudas às quantidades produzidas e ao número de animais e salvar o rendimento dos produtores, que reduzirão os custos, mas mantendo os apoios anuais”.

“Muitas explorações, com as vacas sempre na pastagem, ordenhadas em máquina de ordenha móvel, com parcelas dispersas e, por isso, com difíceis condições de trabalho e a custos elevados, precisam ser apoiadas. Estes sim, são os agricultores mais estimados pelos turistas, mais genuínos e típicos, pois ajudam a promover e valorizar os restantes produtos e os Açores”, frisou.

Para António Almeida, os Orçamentos apresentados pelo Governo Regional “não respondem” à necessidade de “apoios diferenciados” para a lavoura, com vista à “preservação a imagem rural que marca a Região”.

“A certificação dessas explorações típicas dos Açores é necessária, não apenas pelos produtos que produzem, mas sim pelo serviço que prestam, e os seus agricultores têm de ser compensados por isso”, considerou.

Segundo o parlamentar do PSD/Açores, “os Orçamentos pelo Governo Regional não estimularam formas de aumentar valor ao produto agrícola, mas apenas a quantidade”.