O deputado do PSD/Açores Carlos Ferreira propôs a criação de Observatório de Dependências na Região, alegando que é necessário um organismo independente do Governo Regional para apoiar as decisões em matéria de políticas públicas de prevenção e combate às dependências.
“O grupo parlamentar do PSD/Açores considera que deve ser criado um Observatório de Dependências dos Açores, um órgão não governamental, para monitorizar a evolução do fenómeno e proporcionar informação sistematizada para apoio à decisão em matéria de políticas públicas de prevenção e combate às dependências na Região”, afirmou o social-democrata, na Assembleia Legislativa dos Açores.
O parlamentar falava durante uma interpelação ao Governo Regional, promovida pelo partido, sobre o Estudo de Caracterização dos Comportamentos Aditivos nos Açores.
Carlos Ferreira salientou que os social-democratas estão “empenhados em trabalhar para, com a máxima urgência, definir uma estratégia para prevenir e atacar o flagelo das dependências”, tendo apresentado os contributos do partido nesta área.
“A melhoria do funcionamento e eficácia das Comissões para a Dissuasão da Toxicodependência é um instrumento importante. Por isso, apresentámos em junho um diploma – que está em apreciação nesta Assembleia – para a criação destas Comissões em todas as ilhas dos Açores”, frisou.
O deputado do PSD/Açores referiu, por outro lado, que “é fundamental reforçar o apoio às famílias” que enfrentam o flagelo da toxicodependência, alegando que estas “precisam de ajuda a todos os níveis”.
“Os pais e mães dos toxicodependentes deparam-se diariamente com este drama, tendo que trancar à chave tudo o que tenha valor e sendo muitas vezes agredidos pelo desespero dos filhos em recaída. Estas famílias precisam de informação, de apoio psicológico, de acompanhamento próximo”, considerou.
Relativamente ao Estudo de Caracterização dos Comportamentos Aditivos nos Açores, Carlos Ferreira referiu que o documento “aponta a falta de empenho e colaboração de diversas unidades de saúde na realização do presente estudo”.
“Num estudo promovido pela Região, esta situação é grave e exige o apuramento dos motivos da falta de colaboração dessas unidades de saúde, tuteladas pelo Governo Regional”, disse, tendo solicitado explicações acerca desta questão à Secretária Regional da Saúde.
O parlamentar social-democrata manifestou também estranheza pelo facto de o consumo de tabaco ter sido “excluído do estudo realizado”, lembrando que, segundo dados de 2009, haver cerca de 68.000 dependentes de tabaco nos Açores.
“O Governo Regional não pode olhar para o tabaco só como uma fonte de receita através da cobrança de impostos. O tabaco é também um enorme foco de dependência nos Açores. Esta é uma lacuna grave do estudo realizado, porque sabemos que todos os estudos nacionais e internacionais apontam o tabaco como substância de iniciação dos jovens e adolescentes”, sublinhou.
Carlos Ferreira lamentou ainda que o estudo em causa apenas tenha abrangido a população estudantil dos 12 aos 21 anos, quando o Governo Regional estava mandato pelo parlamento para analisar a prevalência de dependências em toda a população açoriana.
“Pretendia-se um estudo referente à população em geral, e por área geográfica de residência, pelo menos por concelhos, e não foi isso que o Governo Regional apresentou”, afirmou.

