Porto da Horta. Estudo arrancado a ferros! – Opinião de Luís Garcia

1. Já escrevi neste espaço que muitas das decisões do Governo Regional relativas a investimentos no Faial têm de ser quase arrancadas a ferros. Não devia ser assim, mas no Faial, infelizmente, é! Eis mais um exemplo.

Segundo notícia deste jornal, o Governo Regional e a Portos dos Açores aparentemente decidiram pedir ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) um novo estudo da agitação marítima na bacia do porto da Horta. Esta é uma decisão “arrancada a ferros”!

Recorde-se que desde a construção do novo cais a norte da baía (inaugurado em 2012) e de verificadas as suas consequências na agitação no interior do porto, que muitos faialenses reivindicam que, face a esta nova realidade e para se evitarem mais erros, se devia efetuar um novo estudo antes de avançar com mais investimentos naquela infraestrutura.

Ao longo destes anos, o Governo e a Portos dos Açores sempre recusaram a necessidade de mais estudos. Inclusivamente, a maioria socialista na Assembleia Regional chumbou uma proposta para que fosse encomendada ao LNEC uma auditoria às obras do porto da Horta. Na altura os deputados socialistas do Faial diziam que o que a oposição queria era atrasar a obra.

2. Afinal, quem atrasou este investimento?

Quem o atrasou foi quem ao longo de todo este tempo andou a gastar dinheiro a rever projetos (já vamos na 3ª versão!) que nunca conseguiram reunir as condições para tranquilizar a generalidade dos faialenses e especialmente a comunidade portuária, dissipando todas as dúvidas e interrogações.

Se o Governo e a Portos dos Açores tivessem há muito assumido os erros que cometeram e as implicações da construção do molhe norte, e tivessem tido a capacidade e a abertura para ouvir com seriedade a comunidade portuária e mandar elaborar um estudo sério, credível e transparente, estaríamos hoje certamente noutro patamar do investimento no porto da Horta.

Infelizmente, a teimosia e intransigência do poder absoluto do Governo Regional de Vasco Cordeiro, com a cumplicidade da Câmara Municipal da Horta e de alguns socialistas locais, não permitiram o avanço deste processo com a transparência e a segurança que se exigiam. São estes os verdadeiros responsáveis pelo atraso deste investimento.

3. Mais uma vez algumas forças vivas e a sociedade civil faialense tiveram de se mobilizar. Foram muitas reuniões, fóruns, artigos e até uma petição com muitos subscritores.

Tudo na defesa do nosso porto e de investimentos que o potenciem e permitam o desenvolvimento de todas as suas valências. Nada mais salutar e de enaltecer. Terá valido a pena? Ainda é cedo para uma resposta cabal.

Para já o anúncio deste estudo é o reconhecimento de que afinal existiam razões para termos dúvidas. Agora, é preciso garantir que o estudo anunciado é mesmo novo, ou seja, que considere a real situação da agitação no porto, incluindo as implicações do novo cais; e que não seja apenas um expediente para gerir a contestação e contornar as eleições regionais do próximo ano.

4. Quero ver como reagirão os que localmente sempre defenderam que estava tudo estudado e esclarecido. Aqueles que com a mesma cara e empenho sempre foram defendendo as diversas versões do projeto com se fossem a melhor coisa do mundo.

Ainda ecoam nos meus ouvidos os berreiros de alguns boys socialistas (alguns mesmo numa clara situação de incompatibilidade ética pois são funcionários da Portos dos Açores, o dono da obra) que, na Assembleia Municipal, defendiam a bondade dos diversos projetos.

E também a conversa daqueles que, no Conselho de Ilha, em representação de algumas associações, parecendo mais socialistas do que os próprios socialistas, afirmavam perentoriamente que não tinham dúvidas nenhumas sobre o projeto em causa.

A uns e a outros ainda os vou ouvir e ver, com o mesmo descaramento, apresentarem votos de congratulação ao Governo por mandar fazer um estudo para esclarecer…as dúvidas que eles afinal não tinham…

A mim conforta-me a consciência tranquila de sempre ter defendido um estudo às atuais condições de agitação marítima no nosso porto. Afinal era e é uma questão de bom senso. Característica que cada vez mais escasseia nesta governação.

Devido a esta incompreensível teimosia o investimento no porto da Horta foi adiado, pelo menos, duas legislaturas! Será que era esse o objetivo?