Desemprego. TSD denunciam uma realidade muito diferente da propaganda

O presidente dos TSD/Açores acusou hoje o Governo Regional de viver “num estado permanente de propaganda”, não hesitando “em recorrer à meia verdade e até à mentira para tentar iludir os açorianos, quando temos a mais alta taxa de desemprego em Portugal”, avançou.

“Por exemplo, quanto mais insucessos se verificam nas políticas de promoção do emprego e de combate ao desemprego e à precariedade, mais notas informativas o Governo Regional emite para confundir os açorianos”, disse Joaquim machado, esta manhã, em conferência de imprensa.

Para o social democrata, “é hora de dizer basta a esta despudorada manobra de propaganda, que pode iludir muitos açorianos, mas que em nada muda a dura realidade nas nossas ilhas”, afirmou.

“E a realidade é que temos a taxa mais alta de desemprego em Portugal – 8,2% contra 6,3% no país -, números apurados para o segundo trimestre do ano e que são os últimos publicados pelo Instituto Nacional de Estatística”, disse Joaquim Machado.

Para aquele responsável, há ainda outra coisa bem mais significativa: “os Açores ainda não saíram da crise. E basta comparar os números atuais com os de 2010, o ano antes de o país ter ficado à beira da bancarrota com a governação de José Sócrates”, desafiou.

“No país, a taxa regrediu para sensivelmente metade do que era há oito anos – 6,3% face a 10,8% -, enquanto nos Açores o desemprego é quase 20% mais alto do que se verificava em 2010. São mais 2100 açorianos desempregados”, frisou.

Joaquim Machado alertou para o facto de a taxa de desemprego ser apurada “trimestralmente, segundo critérios que vigoram para todos os estados da União Europeia. Pelo que as notas informativas que o Governo Regional faz publicar com muita frequência, relativas ao número de desempregados inscritos nos centros de emprego, são manobras para confundir a opinião pública e não se referem efetivamente à taxa de desemprego”, explica.

“E também analisando esses dados, não encontramos motivos para regozijo, muito pelo contrário”, afirma o líder açoriano dos TSD, lembrando que, “em 2010, a média de inscritos nos centros de emprego da Região foi 6005 desempregados. Nos primeiros sete meses deste ano as inscrições ascendem a mais de 7300, 40% dos quais há mais de um ano”, refere.

Também no que toca a trabalhadores em programas ocupacionais “é forçoso concluir que os Açores ainda não saíram da crise”, reforça, criticando “a inexplicável, e até cínica, euforia do Governo Regional, já que se constata que triplicou o número de desempregados integrados nos programas ocupacionais, passando de 1413 para 4256”, revela Joaquim Machado.

Sobre os mais de 20 programas ocupacionais, o social democrata considera-os “a prova última da incapacidade do Governo Regional em lidar com aquele problema social e económico”.

“São milhares de açorianos sem emprego, mas muitos deles a trabalhar em repartições públicas, onde suprimem necessidades permanentes dos serviços, designadamente em estabelecimentos de ensino, onde chegam a substituir trabalhadores em greve, numa grosseira violação da lei”, lamenta.

Joaquim Machado falou ainda sobre o desemprego jovem na Região – relativo a indivíduos dos 15 aos 24 anos -, “que atinge igualmente o valor mais alto do país, com 32,6%, quase o dobro da média nacional. E isso também não é um bom presságio para o futuro da nossa Região”, afirma.

“Temos de concluir que os Açores ainda não saíram da crise, e que a propaganda não corresponde à realidade. Em vez dessa propaganda, exige-se ao Governo Regional açorianos mais empenhamento e competência no desenvolvimento de políticas de combate ao desemprego e à precariedade laboral”, conclui o presidente dos TSD/Açores.

 

TAXA DE DESEMPREGO
2010 2019
Portugal 10,8% 6,3%
Açores 6,9% 8,2% *
  *   segundo trimestre

 

 

DESEMPREGADOS
2010 2019
Açores 8.139 10.310
média anual

 

 

DESEMPREGADOS INSCRITOS
(Centros de Emprego)
2010 2019
Açores 6.005 7.382
média anual

 

 

TRABALHADORES OCUPADOS
2010 2019
Açores 1.413 4.256
média anual