Uma visita sem soluções e o Triângulo – Opinião de Luís Garcia

1. Em menos de um ano o Governo efetuou duas visitas ao Faial: uma em outubro de 2018 e outra na semana passada.

Para uma governação que durante anos e anos não efetuou nenhuma visita desta natureza a esta ilha, esta mudança de estratégia representa o reconhecimento do PS e do governo de que precisam trabalhar política e eleitoralmente o Faial de forma diferente.

Perante essa urgência o governo deslocou-se, na semana passada, de “armas e bagagens” para esta ilha, com uma manipuladora e gastadora máquina de propaganda.

Entre visitas, apresentações de estudos, projetos e concursos, alguns de obras prometidas pelo PS há mais de 20 anos, regista-se positivamente a inauguração do Centro de Dia dos Flamengos e a ampliação do Jardim Botânico.

2. Porém, no domínio das acessibilidades esta visita foi uma desilusão.

Em relação à ampliação da pista do aeroporto o Governo reconfirmou que não faz parte da solução e em relação ao problema dos transportes aéreos não apresentou uma única decisão.

Refugiando-se na falta de pilotos, que é por si só denunciadora do mau planeamento da SATA (e do Governo, que é dono da companhia), e reconhecendo aqui e ali alguns constrangimentos, o Governo revela-se assustadoramente incapaz de encontrar soluções para o mau serviço que aquela empresa vem prestando ao Faial bloqueando, há pelo menos cinco verões consecutivos, a nossa mobilidade e o nosso desenvolvimento económico.

A desorientação é de tal ordem que a Secretária dos Transportes afirmou na Comissão de Economia, que vamos estar sempre dependentes da “boa vontade dos pilotos”.

Como é possível que a mobilidade dos faialenses e dos picoenses, ou de quaisquer outros açorianos, possa estar dependente da boa vontade dos pilotos!?

Estamos, assim, confrontados com uma companhia aérea, propriedade de um governo, que já demonstrou não ter capacidade de responder às reais necessidades e potencialidades do Triângulo e, por isso, urge procurar outras soluções, designadamente outras companhias que possam complementar as lacunas e a falta de meios da Azores Airlines para garantir a estas ilhas um serviço que elas legitimamente anseiam e têm direito.

3. Em plena visita do Governo ao Faial houve uma boa novidade para estas três ilhas do Triângulo.

Um conjunto de seis associações empresariais e da sociedade civil do Faial, do Pico e de S. Jorge decidiram solicitar uma reunião conjunta ao Governo para exigirem melhores acessibilidades.

Para quem, como eu, há muito defende esta realidade geográfica e acredita nas suas potencialidades, só se pode congratular e saudar esta iniciativa e fazer votos que ela seja o início de um novo período no relacionamento e no trabalho que estas ilhas devem desenvolver em conjunto.

Como escrevi neste espaço, em fevereiro de 2018, sentia que nos últimos tempos, “não estamos a fazer tudo o que devemos e podemos para desenvolver o Triângulo nas suas várias vertentes e para construir uma verdadeira comunidade unida nos mesmos propósitos. Desconfio mesmo que, em alguns domínios, estejamos a recuar nesta caminhada com competições suicidas e discursos absolutamente contraditórios”.

E acrescentava que “em vez de aproveitarmos a mobilização da sociedade civil, especialmente no Faial e no Pico, na luta por melhores e mais acessibilidades aéreas, temos perdido energias e força com divisões internas e discursos prejudiciais”.

Era isso que pensava na altura, é o que continuo a pensar e é para isso que estou pronto para lutar. Não para dividir para que outros reinem! Foi com este espírito que estive junto do local onde decorreu aquela reunião: para demonstrar o meu apoio à iniciativa e, sobretudo, apelar à união do Triângulo.

Neste contexto é bom recordar e perguntar onde anda a Associação de Municípios do Triângulo?!

4. Uma palavra final para repudiar a forma trapalhona e ilegal como a reunião do Conselho de Ilha do Faial (CIF) com o Governo foi marcada.

A mesa do CIF esteve mal, foi subserviente ao Governo e com isso cúmplice na forma autoritária e antidemocrática como o Presidente do Governo impediu a intervenção dos cidadãos naquela reunião.

Neste domínio o Presidente do Governo tem muito a aprender com a Presidente da Assembleia Municipal da Horta que tomou a iniciativa de convocar uma reunião para debater os investimentos no porto da Horta envolvendo e ouvindo, de forma exemplar e efetiva, os cidadãos. Que diferença! Parabéns à Presidente da Assembleia Municipal.