Voto negociado – Opinião de João Bruto da Costa

O “contrato de cidadania” proposto pelo Presidente do Governo é mais uma aberração desta pseudodemocracia em que se tornou o regime socialista atlântico.

Tornar o direito/dever de votar num negócio é um estímulo ao egoísmo, ao caciquismo e uma forma de institucionalizar o voto comprado.

Já todos imaginamos as campanhas que se seguem, à boca pequena ou na relação de poder existente nos Açores: “vem votar, olha que podes vir a ganhar com isso…”.

O voto premiado não é mais do que a revelação de como se perdeu a total noção das urgências democráticas em que nos encontramos, para consagrar mais um instrumento de manutenção do poder, geralmente por conta dos mais desprotegidos, frágeis ou dependentes da boa vontade de quem o exerce.

O regime perdeu a vergonha e nem se importa muito com isso, vale tudo e já só se pensa em combater a possibilidade de perder o poder, recorrendo a uma relação de submissão que mata a liberdade de escolher não votar ou em quem votar.

As eleições de outubro próximo já terão muito disto, caciques atrás de fazer valer o prémio de um voto com benefícios.