A Agricultura não pode ser entendida como o setor que ameaça o ambiente nas suas diversas vertentes, mas sim como o parceiro ao qual incumbiram a difícil missão de produzir alimentos saudáveis, respeitadores do ambiente e da paisagem e ainda por cima … baratos!
Acresce que, num mundo globalizado, os consumidores compram bens alimentares cuja forma de produção desconhecem, mesmo sabendo a origem, e que invadem todos os mercados através de acordos comerciais entre economias muito distintas.
Por outro lado, a Agricultura sendo um contribuinte ativo, para um futuro ambientalmente sustentável, deve ser vista e compreendida de forma diferente e remunerada pelo tipo de serviços que presta e pela exigência que os consumidores querem impor.
Com o debate público, que vai intensificar-se à escala europeia e mundial, sobre as problemáticas ambientais, os Açores não podem ficar de fora e apanhar de surpresa com medidas impostas, sem a discussão interna e a compreensão das razões fundamentadas que irão alterar e condicionar a atividade agroflorestal.
O número de agricultores e a dimensão média das explorações agrícolas em cada ilha vão resultar, para cada fileira agrícola, das políticas a implementar que, de forma obrigatória terão de basear-se numa estratégia consistente e integrada, visto que terão de responder a critérios objetivos, como as produções por hectare, os sistemas de adubação, a relação entre animais e espaço, para além das condições e opções de alimentação.
Da mesma forma os produtos agrícolas oriundos de explorações, que respeitem um determinado modelo, têm de contar com outra valorização no mercado. E não precisarão de ser produções biológicas, mas sim naturalmente condicionadas por critérios que o consumidor aceite como seguras e de menor impacto no equilíbrio dos sistemas agro naturais.
Vão existir nos Açores mais do que um modelo de produção agrícola nas diversas fileiras, mas o que importa garantir com fundos públicos é o papel que cada modelo desempenha na economia, na preservação ambiental e na manutenção da sociedade rural, embora para todos importe assegurar a viabilidade económica e financeira.
Estão a ser tratadas nos Açores questões como as alterações climáticas, gestão da paisagem e respetivas condicionantes, aplicação do estatuto de agricultura familiar e daqui a algum tempo a do jovem empresário rural e estamos anunciando a presença da região em inúmeros Top’s mundiais com base em critérios ambientais e de relevância da natureza como o nosso principal produto e motivo turístico.
Da mesma forma que no âmbito do turismo vão existir hotéis classificados de forma distinta de acordo com a respetiva qualidade, dimensão, serviços que prestam e a excelência da procura, mas também outras formas de alojamento turístico e local, com preços muito diferentes, na agricultura assim terá de ser pela a distinção da respetiva qualidade e diferenciação, especialização das explorações agrícolas e o reconhecimento das indústrias dessa distinção junto dos mercados.
Se os Açores são uma marca e tudo será Marca Açores, então convém que os consumidores conheçam as condições de produção e de transformação das produções agrícolas açorianas e que estas respondam à expetativa desses consumidores, onde se incluirão perfis diferentes e opções de compra distintas.
Não vai haver espaço para vender “gato por lebre” na agricultura, no turismo e no ambiente. E se assim acontecer poderemos deitar tudo a perder. Os Açores subiram a “parada”, agora têm de a sustentar.

