O Cuidador Informal – Opinião de Mónica Seidi

Os números são reais! Há cerca de 827 mil Cuidadores Informais em Portugal, sendo que 207 mil trabalham a “full time” (1). Se olharmos para os custos inerentes à atividade, facilmente se depreende a sua importância, uma vez que o valor económico das horas de trabalho dos cuidadores está estimado em 333 milhões de euros/mês (2).

As alterações sócio-económicas observadas nos últimos anos, nomeadamente, ao nível das dinâmicas familiares, associadas ao aumento crescente dos grupos etários mais velhos, fazem com que os Cuidadores Informais tenham um papel imprescindível na sociedade. E muitas vezes a sua função é uma difícil obrigação.

Na Região escasseiam os dados estatísticos sobre esta matéria. No entanto, apresentamos Índices de Envelhecimento elevados, com 9 dos nossos 19 concelhos a apresentam um Índice de Envelhecimento superior a 100%, e cerca de 50% da população açoriana idosa não consegue realizar de forma autónoma as suas atividades diárias, necessitando, pois, de auxílio.

Os Cuidadores Informais podem ter vários tipos de ação, desde o simples ato de vestir ou ajudar a tomar medicação, ou outras funções mais complexas, que requerem alguns conhecimentos técnicos. Convêm relembrar que os Cuidadores Informais tratam de pessoas dependentes, e de forma não remunerada, logo sem nada em troca.

Ora perante esta realidade, e uma vez que o seu trabalho corresponde a um ato de nobreza inegável e extraordinário, importa dignificá-lo da forma mais adequada quer para a pessoa que está a ser cuidada, quer para quem cuida. Desta forma, é impreterível e pertinente a implementação de medidas a curto prazo que visem esse objetivo.

Em novembro último, em sede de Plano e Orçamento para 2019, propusemos a introdução de um novo artigo no Orçamento da Região dirigido aos Cuidadores Informais, reconhecendo a sua importância e apoio prestado, de forma a reforçar a sua proteção social. Criará as condições para acompanhar, capacitar e formar o cuidador informal principal e para prevenir situações de risco de pobreza e de exclusão social.

Pretende-se ainda que seja feita uma avaliação das respostas existentes dirigidas ao descanso do cuidador, designadamente no âmbito da Rede Regional de Cuidados Continuados Integrados dos Açores, dos serviços e respostas sociais existentes de não institucionalização, por forma a avaliar a necessidade de reforço ou reformulação das mesmas.

Os Cuidadores Informais são um fator de sustentabilidade dos sistemas sociais e de saúde, pelo que as medidas dirigidas à sua proteção devem ser consensuais e transversais a todos os partidos políticos.

Esperamos agora que o Governo Regional dê cumprimento ao que foi unanimemente aprovado pela ALRAA, uma vez que a atividade dos Cuidadores Informais gera importantes benefícios para toda a sociedade, e não apenas para aqueles que são objeto de cuidados. Assim, é urgente garantir as condições que permitam a maximização desses benefícios e assegurar os instrumentos necessários para a devida justiça social.

 

(1) – Retirado do Eurocarers
(2) – “Medidas de Intervenção junto dos Cuidadores Informais”-Documento enquadrador, perspetiva Nacional e Internacional