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1. Segundo dados do Serviço Regional de Estatística, recentemente divulgados, é possível verificar que, nos últimos 5 anos (2014-2018), o número de passageiros desembarcados nos aeroportos dos Açores aumentou 78,3%. Os aumentos por ilha foram os seguintes: Santa Maria (39,4%); S. Miguel ((99,1%); Terceira (61,3%); Graciosa (40,6%); S. Jorge (54,8%); Pico (79,2%); Faial (40,3%); Flores (55,4%) e Corvo (65%).

Por tipo de voo, os que registaram um maior crescimento foram os que desembarcaram em voos territoriais (voos oriundos de Portugal Continental e da Madeira), que mais do que duplicaram, com uma taxa de 122,1%; seguindo-se os passageiros oriundos dos voos inter-ilhas com uma taxa de 54,1% e finalmente os dos voos internacionais com 46,8% de crescimento.

Porém, nem todos os aeroportos seguem a mesma tendência de crescimento por tipo de voo. Em 2014, desembarcaram no aeroporto da Horta nos voos inter-ilhas 46.790 passageiros e em 2018 74.666 (crescimento de 60%).

No mesmo período o aumento de passageiros desembarcados no nosso aeroporto oriundos de voos territoriais (Portugal Continental e Madeira) foi de apenas 15% (em 2014 – 35.823 e em 2018 – 41.212 passageiros), quando na Região o aumento neste tipo de voo foi de 122,1%.

2. Assim fica claro que o crescimento de passageiros desembarcados neste período no aeroporto da Horta se deveu, sobretudo, ao aumento registado nos voos inter-ilhas, contrariando a tendência regional em que o maior aumento (122,1%) foi de passageiros oriundos dos voos de Portugal Continental e da Madeira.

Esta é mais uma prova da estratégia de desvalorização e esvaziamento da nossa gateway que está paulatinamente a ser levada a cabo pela SATA e pelo Governo Regional.

Os passageiros que pretendem vir para o Faial estão a ser obrigados ou incentivados a utilizarem outras rotas em detrimento da rota direta entre Lisboa e a Horta.

Tal acontece porque, em muitos períodos do ano, há falta de voos e de lugares na rota direta, fruto de uma oferta inadequada que não permite potenciar o nosso crescimento.

Acontece também devido à incompreensível política de preços das tarifas da Azores Airlines em que o preço nesta rota é muitas vezes superior ao de outras rotas, mesmo que passando por mais aeroportos, e até o sistema de reencaminhamentos está igualmente a contribuir para desvalorizar algumas gateways nos Açores, incluindo a da Horta.

3. Para além da análise aos números de passageiros que chegam ou que saem do Faial temos, cada vez mais, de estar atentos às rotas que esses passageiros utilizam.

Não podemos aceitar estratégias escondidas e sub-reptícias que procurem impedir que os passageiros não utilizem a rota direta entre a Horta e Lisboa e sejam obrigados ou incentivados a utilizarem outras rotas e outros aeroportos, promovendo o tão desejado por alguns, hub aéreo dos Açores que concentre a entrada e saída de passageiros.

Neste sentido a defesa intransigente e a devida promoção da rota direta entre a Horta e Lisboa tem de estar sempre no topo das nossas prioridades. Não podemos vacilar!

4. Perante tudo isto e ainda de constatar, por exemplo, que no mês de agosto de 2018 a Azores Airlines fez menos 20 voos diretos entre a Horta e Lisboa do que em agosto de 2017, tenho muita dificuldade em aceitar que exista gente no Faial que compreenda que “não seja possível, para já, disponibilizar mais ligações diretas a Lisboa nos meses de julho e agosto” e que defenda que a alternativa para o bloqueio aéreo que temos vivido em pleno verão seja sair ou entrar por outras ilhas.

Isto constitui um rude golpe nas reivindicações de mais ligações diretas entre Lisboa e a Horta, no verão, que temos vindo a fazer há anos e que julgava que merecia a concordância de todos no Faial.

Além disso, perante os dados anteriormente apresentados, esta posição do Secretariado do PS do Faial expressa a sua pública concordância com esta estratégia da SATA e do Governo Regional de desvalorização e esvaziamento da rota direta entre a Horta e Lisboa.

Eu não concordo e não compreendo como é que há gente no Faial que compreende estas situações.