PSD/Açores defende adequação da estratégia para o setor leiteiro e avisa Governo que “não bastam manifestações de vontade”

O grupo parlamentar do PSD/Açores defendeu hoje a necessidade de o Governo regional adequar a estratégia para o setor da produção de leite e lacticínios na Região à realidade de cada uma das nove ilhas, em vez de impor um modelo único, como acontece, cujos efeitos e consequências estão à vista de todos.

Segundo António Almeida, “adequação” deve ser, por isso, a palavra-chave num momento em que se debate a Estratégia da União Europeia para o pós-2020, onde se inclui a Política Agrícola Comum (PAC), até porque “se for para ficar tudo igual, não vai existir distribuição justa de rendimentos para os agricultores”.

“Com a União Europeia a reconhecer a diversidade agrícola e rural entre os Estados-Membros, os Açores têm de adotar o mesmo princípio e respeitar as diferenças de cada ilha nas suas apetências para a produção de leite e lacticínios”, afirmou o deputado e porta-voz do PSD/Açores para a Agricultura.

O deputado falava no parlamento açoriano durante um debate de urgência “Produção de Leite e Lacticínios nos Açores – Estratégia Pós-2020”, agendado pelo PSD/Açores, onde deixou claro que “não podemos chegar a 2020 e ser confrontados com o resultado de decisões erradas ou com a falta de decisões”.

António Almeida alertou para a situação no setor do leite e dos lacticínios da Região, onde o fim das quotas leiteiras levou a que o preço do leite pago aos produtores caísse, sem uma reação do executivo, de quem, salientou, “os agricultores esperam mais do que a desculpa de que ‘é o mercado a funcionar’”.

“Que estudos tem o Governo sobre a situação do setor da produção de leite e lacticínios em cada ilha, designadamente quanto custa produzir um litro de leite?”, questionou, para acrescentar que “não é com manifestações de vontade, como as do secretário regional da Agricultura, para que se produza mais leite no Faial, no Pico e nas Flores, que esse aumento acontece”.

“Esse aumento só acontece com a utilização dos apoios financeiros na orientação dos produtores e industriais para a estratégia adequada”, clarificou.

O parlamentar notou ainda que “ao longo dos últimos anos o Governo financiou investimentos para as indústrias de lacticínios em modelos semelhantes e sobredimensionados para a realidade produtiva de cada ilha, associada à falta de vontade dos produtores nas condições a que estão sujeitos, quer de preços de leite quer dos fatores de produção”.

Neste quadro, o deputado desafiou o executivo a apresentar a estratégia que o próprio defende para a fileira no pós-2020, sem sucesso, lembrando que, de acordo com a Comissão Europeia, cada Estado-Membro deverá estabelecer um “Plano Estratégico para a PAC, adequado às condições e necessidades locais, que no caso dos Açores deve ser adaptada à Região por via da ultraperiferia.

“O secretário regional da Agricultura limita-se a ficar à espera que as coisas aconteçam, que o ministro da Agricultura decida e que a União Europeia diga quanto dinheiro vai mandar para os Açores e que obrigações vão decorrer da nova Política Agrícola Comum”, concluiu António Almeida, face à ausência de resposta do Governo regional sobre as prioridades para o setor no pós-2020.