PS chumba audição a médico pediatra demitido por “politiquices”

O grupo parlamentar do PSD/Açores considera grave o chumbo do PS à proposta de audição do ex-vogal médico do Conselho de Administração da Unidade da Saúde da ilha do Pico, Professor Doutor Luís Nunes, que, após ser demitido das funções, denunciou o que diz ser uma exoneração “obscura” e sustentada em “politiquices” do PS do Pico.

“O PS teve medo de ouvir o Professor Doutor Luís Nunes, bem como a Ordem dos Médicos, refugiando-se na audição de uma das partes, a que lhe interessa do ponto de vista político, que é a tutela, sustentada em termos parlamentares precisamente pelo PS sob a forma de maioria absoluta”, afirmou Luís Maurício.

O deputado do PSD/Açores falava à saída da Subcomissão Permanente de Assuntos Sociais onde foram votadas, sob proposta do PSD/Açores, as audições a Rui Luís, secretário regional da Saúde, ao Professor Doutor Luís Nunes e ao Conselho Médico da Região Autónoma dos Açores, na sequência de denúncias públicas efetuadas pelo ex-vogal médico da Unidade de Saúde da ilha do Pico (Telejornal RTP-Açores, 29 de maio).

“Entendíamos, nestas circunstâncias, que seria importante esclarecer aquilo que levou à dispensa de um técnico e de um profissional brilhante que os Açores, no nosso entender, não deveriam dispensar, quer como eventual membro de um outro Conselho de Administração, quer até como pediatra que teria importantes serviços a prestar à população dos Açores, nomeadamente à ilha do Pico e do Faial”, justifica.

Para o deputado social-democrata, o facto da maioria socialista viabilizar apenas a audição a Rui Luís, “demonstra que o PS não considera relevante a explicação, perante os açorianos e os seus representantes, do que o Doutor Luís Nunes diz ser uma exoneração não esclarecida, obscura e devida a politiquices do PS da ilha do Pico”.

Luís Maurício frisa que “é grave” quando um ex-membro de um Conselho de Administração tece acusações como as do Professor Doutor Luís Nunes ao Governo regional, acrescentado que “os açorianos que ouvem isso têm o direito de ser esclarecidos por ambas partes”, sendo certo que o próprio ex-vogal médico “terá muito mais a dizer do que aquilo que uma curta peça de televisão lhe permitiu dizer e afirmar”.

“O Partido Socialista teve medo da transparência exercida em toda a sua dimensão”, concluiu o deputado social-democrata açoriano.