Mandam as boas regras da vivência democrática de qualquer sociedade que o poder, o sucesso e a riqueza deverão ser distribuídos de acordo com o talento e a diligência, em vez de serem adquiridos por sorte ou nascimento.
Os corredores do poder, seja ele político, financeiro ou social, deveriam estar abertos e serem alcançáveis por quem demonstre talento, perseverança e bom senso.
Nos Açores não é isto que está a acontecer. Passou-se de laivos de uma partidocracia atuante para um ambiente pró-dinástico. O cartão de militante partidário já não chega. Hoje exige-se laços de afinidade que vão encaixar nas famílias que dominam a política regional nos últimos 20 anos.
Um regime de democracia hereditária está-se implementando na Região. E o que assusta, não é que haja quem queira implementar semelhante regime, é que seja permitido por esta nossa cómoda e permissiva sociedade.
A “meritocracia” está dando lugar ao “amiguismo”. Com o que isto acarreta em termos de corrupção, impunidade e enfraquecimento da democracia.
Os palhaços e os cómicos, convertidos em “maîtres a penser”, opinam e decidem como o são. E assim, o desprezo e o desdém perante a democracia vai ganhando adeptos.

