As inúmeras placas, alusivas a inaugurações, com nome de governantes estampado, e que abundam pelas nossas nove ilhas, são o retrato mais fiel de uma governação para a “posteridade”. Do fontenário à marina, da rotunda ao hospital semi-ocupado ou à escola megalómana, tudo tem direito a “dono”. Para a “posteridade”. Na governação de uma sociedade em que a economia sempre se “subjugou” à política. Com os infelizes resultados que a grande maioria dos açorianos sente no seu dia-a-dia.
O “tribunal da história”, no dizer de Churchill, terá de classificar como profundamente condenável uma governação que, em Autonomia, e com muitos recursos financeiros postos à sua disposição, quer pela Europa quer pela solidariedade nacional, se acomodou ao número escandaloso de cidadãos açorianos (mais de 170.000) que “vive” em agregados familiares com rendimentos mensais inferiores a 530 euros.
Na senda dos dados de Thomas Piketty, no seu O Capital, em que, na Belle Époque de 1900-1910, os 10% mais ricos detinha 90% de toda a riqueza produzida, hoje, nos Açores de 2015, e depois de 40 anos de Autonomia, há 2.615 famílias que não têm um único rendimento para declarar ao fisco.
Eu tenho vergonha!

