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E chegado Abril de 2015 com ele veio o fim das quotas leiteiras.

Esta decisão de 2003 teve 12 anos de conhecimento prévio.

Nesse entretanto, os Açores aplicaram muitos milhões de fundos comunitários em programas como o Prorural que, em essência, se destinavam a preparar o futuro deste e de outros sectores da agricultura.

Mas se isso é um facto, hoje é certo que quase todos já perceberam que não estamos preparados para que o impacto do fim das quotas seja positivo como reclamam muitos dos países grandes produtores de leite.

Para isso contribuiu o empurrar com a barriga, tão característico dos sucessivos governos que nos Açores lideraram políticas que hoje estão a deitar por terra os esforços de milhares de agricultores açorianos que se empenharam em “cumprir” com os desejos socialistas açorianos.

Desde as célebres afirmações propagandísticas de titulares da agricultura socialista dos Açores, que juravam que os Açores davam cartas a nível mundial, até às mais recentes profissões de fé do actual Secretário Regional que, ora diz que os Açores estão prontos para enfrentar o fim das quotas, ora diz que sem apoios especiais não seremos capazes de lidar com este problema.

Chegamos ao cúmulo de ouvir altos responsáveis socialistas a tentar já atirar culpas do eventual descalabro do sector leiteiro açoriano para os habituais alvos externos que são, invariavelmente, a Europa e a República, tentando fazer esquecer que as políticas agrícolas nos Açores socialistas passaram sempre e apenas por estratégias viradas para a satisfação eleitoral ou não fosse a lavoura um importante manancial de votos.

Em sentido inverso, notícias dão conta de que os grandes produtores europeus estão em grande festa com aquilo a que chamam a melhor notícia para o sector leiteiro como no caso da Irlanda, da Holanda, da França ou da Alemanha.

Basta consultar os portais na Internet da especialidade para compreender que regiões na Europa que apostam nesta fileira, há muito que se vêm preparando para aumentar produções e para começar de imediato a conquistar importantes mercados.

Uma notícia de Março deste ano, no Agroinfo.pt, dá conta de que “Os mega projectos de explorações agrícolas estão a começar a proliferar na Europa” e fala-nos de que “Um destes projectos, que tem sido muito falado na Europa, é a famosa quinta das 1000 vacas leiteiras, na Picardia, em França, que avançou, mesmo com a total contestação da população local. Mas este caso não é isolado, existindo neste momento cerca de 30 mega projectos em estudo e isto só em França.”

Uma outra notícia do milkpoint.pt confirma que “Em Brittany, França, a companhia chinesa Synutra International está a construir uma unidade de leite em pó que deverá ser capaz de produzir 100.000 toneladas de leite em pó por ano. Espera-se que esteja operacional no final deste ano.”

Outras notícias dão conta que Irlandeses e outros países afirmam que o fim das quotas equivale ao término de um aprisionamento de mais de 30 anos e outras fontes dão conta da criação de milhares de postos de trabalho como resultado desta situação.

As diferenças são abissais e, infelizmente, perdemos muito tempo a ouvir governantes sem visão e que nunca perceberam as verdadeiras implicações do que se perspectivava para o presente. Continuamos sem contas de cultura e sem perceber as formações de preços no sector agrícola. Há muito por fazer e não parece que o poder regional tenha compreendido o que está em causa, levando a mais oportunidades perdidas.