Costa interrompeu as generalidades em que costuma pairar e deu finalmente a conhecer um conjunto de ideias para a economia portuguesa na próxima década. Constam de um documento assinado por alguns economistas que parecem não ter responsabilidades partidárias imediatas e por outros que estão alojadíssimos na “hospedaria” socialista.
Daqui a cerca de meio ano, em eleições, o povo fará o seu juízo. Dará o veredicto sobre essas ideias.
Não invalidando uma ou outra abordagem interessante do documento, ficam, para já, duas breves considerações esclarecedoras. Fica também um “espanto”.
Vamos à primeira consideração. O documento socialista regressa a um modelo que conhecemos bem demais. Em particular, com a política orçamental a recuar em relação aos progressos feitos nos últimos quatro anos, levando novamente a receita e a despesa públicas para os níveis que geraram défices orçamentais insuportáveis. Justamente aqueles que originaram a situação de quase bancarrota que se atingia em 2011. A de Sócrates.
Há uma questão, contudo, que tem de ser convenientemente esclarecida, uma vez que faltam “continhas” no documento que apontou as medidas socialistas para a próxima década. Se, com o modelo que querem recuperar, conduziram Portugal a um défice orçamental “astronómico” de 11.2% do PIB, por que carga de água iriam agora atingir um “déficezinho” de 0.9%?
Como se diz na gíria: Aqui há gato!
A segunda consideração decorre da primeira. É que o mais grave neste “regresso ao passado” é o facto de “meterem no lixo” os enormes sacrifícios que os portugueses fizeram para devolver a credibilidade ao país e para o preparar para o futuro. Então agora, que a situação regressou ao ponto de equilíbrio, designadamente em matéria orçamental, querem voltar à habitual “festa socialista”? Bem sabemos que é isso que a história nos ensina: os socialistas no governo gastam à tripa-forra e quem se segue tem por sina recuperar o país dos desmandos antes patrocinados.
Já se sabia. O documento apenas o confirma. Costa e o seu “adesivo” açoriano têm a mesma escola de Sócrates. Como tal, deles não se podem esperar milagres.
Não têm nenhum cuidado com aquilo que gastam. Esquecem que o que gastam pertence a todos nós. Não gostam de se lembrar de que o que gastam tem origem nos impostos que pagamos.
Como se diz na gíria: É tudo farinha do mesmo saco!
Passemos, por fim, ao “espanto”. Ou, se calhar, vindo de quem vem, até nem é.
O documento defende a “redução do IVA da restauração”. Até pode ser uma medida acertada. Não é isso que está em causa. Mas contrasta com o que foi feito nos Açores nem há quinze dias atrás, quando o governo regional, no processo de redução de impostos que esteve em curso, se recusou a baixar a taxa normal do IVA. Onde se inclui, vejam lá, o setor da restauração.
Quem foi o autor da proeza? Sérgio Ávila. E quem, dos Açores, está inserido no grupo que subscreveu o documento de que estamos a falar? O mesmo Sérgio Ávila.
É bem provável que, um dia destes, Ávila diga que nem sequer esteve nas reuniões do grupo e que não sabia de nada. É pessoa para isso.
Como se diz na gíria: É um artista!

