O desemprego mais elevado alguma vez atingido em tempo de Autonomia. A mais alta taxa entre todas as regiões portuguesas. Quase vinte mil pessoas desempregadas hoje em dia, um número dez vezes superior ao do início do século. Cerca de um quarto das famílias sofre as agruras desse gritante flagelo social impregnado na sociedade.
O peso do Rendimento Social de Inserção na população tem uma expressão que quadruplica a média nacional. A pobreza alastrou de forma inquestionável.
O indicador mais comprovativo desse facto é aquele que nos diz que mais de 70% das famílias vive com menos de 530 euros por mês. São cerca de 180 mil as pessoas que se encontram nessa situação.
Num setor estratégico para o desenvolvimento, como é a educação, o abandono escolar precoce ou o insucesso escolar evidenciam também o cenário mais grave do país.
E podíamos enumerar ainda outros factos indesmentíveis, onde o acesso à saúde se assume como principal preocupação. E que maior bem pode ser dado às pessoas do que o de terem confiança perante a adversidade da doença?
Dizem alguns que tudo isso é uma lengalenga. Justamente aqueles que teriam por obrigação garantir a quem é governado um padrão de qualidade de vida aceitável. Aqueles que deveriam pugnar por dar uma vida digna às famílias e boas condições de exercício de atividade ao universo empresarial.
Infelizmente, não é uma ladainha. Antes fosse.
É a realidade dos Açores, depois de quase vinte anos de governação socialista.
Milhares de milhões de euros foram gastos e os Açores, inacreditavelmente, empobreceram. Andaram para trás, quando seria obrigatório que evoluíssem positivamente. Porque foi muito o dinheiro que o governo teve à sua guarda.
Foi perante este cenário desastroso que o PSD/Açores, no seu Congresso, desenhou um conjunto de metas a atingir num prazo de dez anos. Um conjunto de desafios que apontou para nortear o caminho que se propõe levar a cabo quando for governo nos Açores. Um objetivo claro de restituir a esperança aos Açorianos e de recuperar a sua dignidade.
A meta definida para reduzir o número de pobres em 40 mil pessoas revelou bem a vontade que existe em melhorar efetivamente a vida dos Açorianos. Quando existem cerca de 180 mil pessoas nessas circunstâncias, é um objetivo que, não sendo fácil, é obviamente realista.
O crescimento da economia açoriana, que terá de ser assegurado em níveis mínimos sustentáveis, deverá ser orientado para a geração de rendimentos que privilegiem o fator trabalho. E que, em simultâneo, não deixem de se implementar medidas para garantir condições saudáveis de exercício da atividade empresarial. Afinal, são as empresas as verdadeiras geradoras de emprego. O combate ao desemprego é o passo certo para retirar muitos e muitos Açorianos da situação de pobreza em que se encontram.
A ambição do PSD/A contrasta com a letargia de quem governa os Açores há quase 20 anos. Uma postura verdadeiramente desesperante face às enormes dificuldades sentidas pelos Açorianos.
É que quem quer ser governo não pode ficar-se pela vontade de o ser. Tem de mostrar atitude. E, acima de tudo, tem de revelar ambição.

