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De um país jovem Portugal foi-se transformando em poucas décadas num país idoso. Não foi um caminho rápido e muito menos estrondoso, assentou numa queda contínua da natalidade.

No início deste processo o fenómeno foi interpretado como sendo um salto civilizacional, o acesso generalizado a meios de controlo da natalidade era, e muito bem, visto como um passo em frente no caminho do desenvolvimento social que era desejado. Os cidadãos tinham finalmente o controlo sobre o número de filhos que queriam e podiam ter, faziam-se comparações com a realidade dos países mais desenvolvidos como, por exemplo, os nórdicos.

Os anos passaram, os governos entraram e saíram e ninguém pensou de forma estratégica nesse assunto. Durante algum tempo a imigração disfarçou o problema contribuindo de forma sistemática para o rejuvenescimento da população.

Olhando para os últimos dez anos (não vale a pena irmos mais longe) há números que saltam à vista e devem ser divulgados ( fonte: The Economist).

Vejamos: entre o ano de 2005 e 2010 já só nasciam em Portugal 9,9 crianças por cada 1000 habitantes, éramos o vigésimo país do mundo onde menos se nascia, por comparação (apenas quantitativa) no país em que mais crianças nasciam o número era de 54,1; entre o ano de 2010 e 2015 baixamos para 8,8 nascimentos por cada mil habitantes e somos já o terceiro país do mundo onde menos se nasce, apenas atrás do Japão e da Alemanha.

Do salto civilizacional caímos num grave problema com consequências sociais e económicas muito fortes. Logicamente que a recente crise económica e social agravou esta tendência, mas ela já lá estava.

Um país que enfrenta uma realidade como esta tem vários problemas a médio e longo prazo. Sustentabilidade da Segurança Social e crescimento potencial são só dois exemplos. Nem com um aumento exponencial da produtividade temos hipótese de resolvermos o problema.

Políticas amigas da parentalidade são necessárias mas, infelizmente, não são suficientes. As recentes medidas fiscais (IRS) são positivas e por isso temos que saudar o Governo da República, mas não chegam para inverter esta realidade.

Exige-se a todos os portugueses uma política para o fomento da natalidade, se os políticos portugueses não conseguirem estar de acordo num tema como este devem fazer uma profunda análise do papel que estão a desempenhar.

Além disso, só num ambiente de estabilidade económica e financeira é que os cidadãos têm condições para aumentar o número de filhos.