A ansiada proposta de redução de impostos nos Açores já conhece a luz do dia. Trouxe grande insatisfação. O governo desperdiçou a oportunidade de garantir às famílias e empresas açorianas maior confiança no futuro.
Esperava-se que fosse reposta a situação que vigorava antes de os impostos subirem. Infelizmente para os Açorianos, tal não aconteceu.
Façamos um parêntesis e recorramos à memória.
O agravamento deveu-se à desastrada negociação de um governo da República com os credores que deram assistência financeira ao país. Que resultou, aliás, da quase bancarrota criada pelo mesmo governo. Foi Sócrates, sempre ele, que, depois de gastar à tripa-forra, levou o país quase ao “não retorno”. Comprometido, foi fragilizado para a negociação. E sucumbiu à Troika.
Para os Açores, sobreveio a subida dos impostos. Que mereceu uma escandalosa desvalorização por parte dos socialistas. Uma insensibilidade total demonstrada pelo governo regional que, à partida, tinha obrigação de com todos se preocupar. A negociação, ainda com Sócrates a “reinar”, foi até elogiada por César.
Algum tempo mais tarde, viraram o bico ao prego. O que se passou para a inversão de discurso? Sócrates passou à história e o governo da República mudou de mãos.
Da parte do PSD/Açores, a posição foi sempre a mesma. Considerou o aumento de impostos extremamente penalizante para os Açores. Manteve, obviamente, a posição. Independentemente de quem era governo em Lisboa. Porque a defesa dos interesses dos Açores está bem acima da fidelidade partidária. Ao contrário de outros, como se viu.
Este exercício de memória permite perceber que, no fundo, os socialistas até devem ter sorrido quando souberam do aumento de impostos que Sócrates criou. Apenas e só pelo dinheiro que tal facto faria entrar nos cofres do governo.
Não é também por acaso que o governo regional optou agora por não repor integralmente a situação que vigorava até 2014. Preferiu não passar o dinheiro para as mãos das famílias e das empresas e quis guardar algum para si próprio. Para sustentar alguns caprichos, preferiu não melhorar a vida dos Açorianos.
É voraz o apetite do governo pelo dinheiro nas suas mãos.
Por isso, o IRC vai-se manter no recuo de 2014, prejudicando a competitividade das empresas. Consequentemente, fica em causa a capacidade de recuperação da maior taxa de desemprego do país. Aquela que colocou as famílias açorianas em situação aflitiva.
No IVA, desfaz-se uma prática de 30 anos. O governo não quer repor a diferença na taxa normal, que incide sobre produtos como vestuário, energia, combustíveis, gás e outros imprescindíveis para as famílias. Uma opção também fortemente negativa para a sustentabilidade das empresas.
É incompreensível a demora que já leva a redução dos impostos dos Açorianos. Tem o mais do que evidente objetivo de adiar a saída do dinheiro dos cofres públicos. Mas o governo não se deu por satisfeito. Com o mesmo fito, optou também por não inverter globalmente o aumento de impostos criado pela fraca negociação de Sócrates.
Quem é penalizado por este apetite inconsciente do governo pelo dinheiro? Os Açorianos, obviamente.

