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Seguro foi um líder mal-amado entre os socialistas. Durante o seu consulado foram recorrentes as desconsiderações que por cá também lhe fizeram. Soube-se depois porquê.

Costa, seu sucessor, até fingiu uns anos que era bem comportado no âmbito partidário. Tentava apresentar-se como respeitador da escolha das bases do partido. Mas todos sabiam que estava sempre espera de um deslize de Seguro para o “morder nas canelas”. E, por cá, os seus seguidores faziam o mesmo. Sem qualquer tipo de pudor.

É certo que Seguro não era um líder com ideias. E era, claramente, desastrado nas mais diversas situações. Entre os socialistas açorianos eram visíveis os incómodos sentidos com quem os liderava a nível nacional. Diga-se, contudo, que ultrapassavam facilmente esses constrangimentos, não tendo qualquer pejo em recusar dar-lhe a mão.

Há um episódio paradigmático, aliás, passado no congresso em que se fez a transição de liderança nos Açores. Por cá estiveram Costa e Seguro. O primeiro a abrir o evento e o segundo a fechar.

Os sorrisos e salamaleques da abertura contrastaram com as caras de enfado do encerramento. As palmas e o “levanta e senta” do início do conclave marcaram a diferença com o silêncio e o “descansa na cadeira” do derradeiro.

E não houve qualquer tentativa de disfarçar. À exceção de uns quantos, estava na cara que era Costa que desejavam.

Muitos até porque estavam condicionados e destinados a seguir César, aquele que o queria mais do que todos os outros. O motivo seria compreendido mais tarde, no momento em que iniciou a “viagem” que o levou até onde hoje se encontra.

A expectativa em Costa era grande. Pensavam que vinha aí quem tinha ideias. E que estavam arredadas as situações embaraçosas.

Afinal, a montanha pariu dois ratos.

O primeiro “rato” é o das “não ideias”. A poucos meses de ser avaliado como candidato a primeiro-ministro está difícil “arrancar-lhe” o que pretende para o país. Diz mal do que se tem feito, pelos vistos discordando do que lhe sai da boca para fora, mas não consegue apresentar uma via alternativa. São os seus que o forçam a “falar”. Mas os conselhos não têm tido sucesso.

O segundo “rato” é o da constatação de que ainda não foi agora que os socialistas perderam o receio da vergonha. As situações confrangedoras continuam. Umas talvez com menos visibilidade. Mas são muitas as que são reveladoras de impreparação para conduzir os destinos do país.

Valha-nos a situação que levou Alfredo Barroso a desvincular-se do partido, quando tinha sido um dos que nele estava desde o primeiro dia. Situação a que o próprio chamou “chinesice”.

Valha-nos, porque Costa acabou dizendo o que é verdade. E talvez, também, aquilo que sente. Que Portugal está melhor do que estava quando Sócrates rumou a outras paragens.

Entre os socialistas foi sentida como mais uma “gaffe” de Costa. Ditou reações a contragosto e até caricatas de alguns encartados. Incluindo César que, como é hábito nas circunstâncias difíceis, optou por desconversar.

Mas aqui vai uma ligeira inconfidência. Entre os socialistas de cá já ouvimos alguns a lembrar Seguro. E havia algum arrependimento à mistura.