O ruído mediático à volta do resgate financeiro da Grécia perante os seus credores tem levantado uma questão que vai para além da espuma dos dias: até que ponto as opções políticas tomadas pelos eleitores, nas urnas, são limitadas pela realidade financeira do seu país ou da sua região?
No seguimento da Grande Depressão de 1929, as políticas económicas de caris Keynesiano conduziram a altas taxas de inflação e de desemprego. Depois, vieram os banqueiros centrais tomar as rédeas da política económica, usando as taxas de juro para gerirem os ciclos económicos. Passaram a ser os Mário Draghi e as Janet Yellen a decidir as políticas financeiras.
Os políticos, geralmente, chegam ao poder suportados nas suas promessas económicas e sociais. Mas são cada vez menos os políticos que determinam se a economia nacional ou regional prospera. As taxas de juro ditadas pelo BCE e pela FDRA e o preço do petróleo ditarão o caminho. Os políticos serão culpados pelos efeitos adversos de tendências que eles não dominam.
E tudo isto leva um ponto deveras sério: o efeito corrosivo deste desencontro é o crescimento do cinismo dos eleitores para com a política e o minar do apoio à democracia.

