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Na semana passada, no Parlamento açoriano, confirmou-se o que há muito é evidente. Estar no poder, para os socialistas, é quase uma questão de “vida ou morte”. Para eles, a defesa dos interesses dos Açorianos passou para um plano secundário.

Já não conseguem disfarçar. Tentam segurar os seus “lugarinhos” a todo o custo. Carregam no acessório, com demagogia e até com mentira, para darem prova de vida junto de quem os mantém.

O importante é assegurarem a publicitação daquilo que fazem. Para alguns, é mesmo imprescindível, já que do que fizeram pouco ou nada se conhece.

São especialmente diligentes em construir dependências. Daí que tenham atenção a quem está sentado nas escadas do poder, à espera da oportunidadezinha que pode cair no seu colo.

A semana passada foi fértil em episódios esclarecedores. Falemos num que, embora de início parecesse próprio da época carnavalesca que atravessamos, foi absolutamente lamentável.

Em discussão estava um pacote de iniciativas do PSD/Açores para melhorar a transparência das contas públicas açorianas. Um segundo conjunto que levava ainda mais longe outro apresentado em 2011, que melhorou significativamente o conhecimento do que anda a ser feito com o dinheiro que os Açorianos pagam através dos seus impostos.

Depois de juras de corpo inteiro sobre a transparência, os socialistas tiveram de aprovar uma ou outra iniciativa. Em certas alturas, contudo, lá vinha o azedume. O discurso entrava em contradição com o sentido de voto anunciado.

Estavam a fingir. No fundo, preferiam que ficasse menos vulnerável e mais escondida a forma como gerem o dinheiro de todos nós.

Eis senão quando, vem a debate a última peça legislativa. Pretendia criar, no âmbito do Parlamento, uma Unidade Técnica de Apoio Orçamental. Sublinhe-se o “técnica”, já que o objetivo era o de criar uma estrutura independente que procedesse à apreciação isenta dos documentos de âmbito orçamental. Semelhante à que existe a nível nacional desde 2006, com êxito reconhecido, que tem aprofundado o conhecimento de documentos fundamentais da governação. Consequentemente, tem permitido melhorar esses documentos, tornando-os mais favoráveis aos únicos destinatários da acção política: as famílias e as empresas.

Os socialistas, atentos aos seus interesses, apresentam uma proposta de alteração. Qual? “Destruir” a referida Unidade, técnica (sublinhe-se novamente), assumidamente independente, único objeto da iniciativa do PSD/Açores. E criar, em sua substituição, um “lugarinho” dos tais, de assessor político do presidente do Parlamento, totalmente dependente da parafernália socialista, com direito a despesas de representação e tudo.

A má-fé ficou evidente. Sucederam-se reacções indignadas da oposição. E havia, também, muitos rostos desconfortáveis na bancada da maioria.

Os socialistas provaram que não gostam de ser transparentes na governação. É apenas a criação de dependências que os preocupa.

A vergonha não existe por aqueles lados.

Foi, mais uma vez, um total desrespeito pelo primeiro órgão da Autonomia. E, acima de tudo, um ultraje aos Açorianos.

Verdadeiramente escandaloso!