A Base das Lajes foi uma infraestrutura muito importante para os Estados Unidos da América, para Portugal e para os Açores. É bom lembrar que na pratica nunca houve um convite formal para os norte americanos para virem nem há um convite para saírem. Foi uma alavanca da economia dos açores em geral e da ilha Terceira em particular.
O mundo mudou e as necessidades das grandes potências alteraram-se, nomeadamente dos Estados Unidos. Hoje olham mais para o Pacifico do que para o Atlântico, além disso têm meios tecnológicos que diminuem a importância geoestratégica da Base das Lajes.
A realidade é como é, sem que Portugal tenha alguma capacidade de a influenciar de forma determinante. Não há maneira de obrigar os americanos a ficarem com todo o seu contingente mas, também, não há forma de os fazer sair. Nem de Cuba saíram! Sendo assim há que a curto prazo exercer toda a pressão possível, aliás essa pressão foi exercida pelo governo da republica, pelo governo regional e, diga-se, pelo líder da oposição dos Açores.
Houve um consenso, infelizmente raro em Portugal, muito alargado sobre esta questão e até há poucos dias foi um exemplo de boa política. Nesta fase é muito importante não fazer aproveitamentos políticos de baixa qualidade tirando dividendos políticos de tão séria questão.
Paralelamente a tudo que tem sido feito urge olhar o futuro com uma estratégia clara de desenvolvimento para a ilha Terceira e para a região. Se perdemos importância geoestratégica para a guerra, provavelmente, ganhamo-la para a paz e para a nova economia mundial. Os acordos comerciais que se adivinham entre a Europa e os Estados Unidos abrem um conjunto de oportunidades que podem mais do que compensar a perda da Base das Lajes.
É uma obrigação histórica do atual governo regional e da oposição encontrarem soluções estruturantes que permitam à nossa economia dar um salto em frente, não só nas Lajes mas em toda a região. Com transportes mais baratos, com uma fiscalidade muito competitiva e com o novo quadro comunitário de apoio não há desculpa para não sermos capazes de compensar a redução do efetivo militar americano nos Açores.
Por exemplo, a criação de um centro internacional de negócios nas Lajes é fácil de fazer, fácil de vender e potencia a economia regional para um novo patamar de desenvolvimento. Haja vontade de olhar para as soluções e não para os problemas!
Não vale a pena enfiar a cabeça na areia e tentar, mais uma vez, encontrar inimigos externos para justificar a nossa incapacidade de usar a nossa autonomia para resolver os nossos problemas.

