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“Era uma vez” uma empresa, a SATA, cujo único acionista é o governo regional. Tem uma enorme importância para os Açores. Para aproximar os Açorianos, para os ligar ao exterior e para dar boas condições de acesso a quem quer visitar a Região.

“Era uma vez” um governo que tem de prestar contas da forma como governa. E do dinheiro que paga, a quem paga, assim como do que deve mas não paga. E que tem de apresentar no sítio certo a situação das entidades sob sua tutela e as opções que lhes transmite.

“Era uma vez” um “Business Plan” até 2020 dessa empresa. Com duas versões.

Uma “pequenina”, de 41 páginas, entregue aos deputados para que pudessem exercer o seu papel fiscalizador e de acompanhamento. Uma tarefa difícil, já que apenas continha conclusões, faltando-lhe, entre outros elementos, os pressupostos base do cenário que foi desenhado para o futuro. Pressupostos, esses sim, que mereciam análise e avaliação da sua razoabilidade e realismo.

E havia uma versão grande, de 251 páginas, onde constava a informação fundamental para ter uma posição clara sobre o passado e para avaliação das opções alternativas em termos futuros. E onde se incluía uma referência de que, depois de aprovada pelo acionista único, haveria uma “versão reduzida” para consumo parlamentar e para os parceiros sociais.

E esta última, a “grande”, veio-se a saber depois, afinal andava por tudo quanto era sítio. Aliás, muito tempo antes já andava a cair, “aos quilos”, informação dela constante. E até já se invocava que essa informação pertencia a um documento de 200 e tal páginas. Pelos vistos, estava em todo o lado. Menos, como se sabe, no terreno parlamentar.

Espantoso foi o que o governo disse e jurou. Que apenas tinha a “pequenina”. Que à “grande” nem sequer tinha posto a vista em cima. Dito, é certo, com o ar comprometido dos membros do governo que o afirmaram. Auxiliados, no caso, por intervenções patéticas de deputados da maioria, que não se escusaram de emitir vulgaridades a qualquer preço para manterem a “garantia” de que dependem.

“Era uma vez”, portanto, um governo que, ou ocultou a verdade, ou é irresponsável. Porque uma decisão dessa dimensão, sobre o futuro de uma empresa que desempenha um papel tão relevante na sociedade açoriana e da qual dependem centenas de famílias açorianas, não pode ser tomada na base de um “resumo” que omite a informação mais preciosa.

A decisão, para qualquer empresa, obriga a informação detalhada e muito precisa. Dizer que o que foi entregue ao Parlamento é o “Business Plan” da SATA é atirar areia para os olhos dos incautos.

Não queremos acreditar que a irresponsabilidade em que o governo é fértil tenha sido, desta vez, modo de facilitar a decisão. O que o governo queria mesmo é que muita informação não fosse divulgada. Designadamente a sua culpa, em larguíssima escala, na situação caótica do ponto de vista financeiro que vive a SATA. Porque não lhe paga o que lhe deve. A exemplo do que faz com inúmeras empresas açorianas. Que, tal como a SATA, vivem momentos de enorme aflição.

“Era uma vez” um governo que não paga. E que voltou a ocultar informação aos Açorianos!