1. Utilizo hoje este espaço para prestar uma singela homenagem a um homem bom: Alberto Romão Madruga da Costa. Ao homem, ao amigo e ao político.
Foi com enorme tristeza que recebi a notícia do falecimento do Sr. Romão. Esta é uma grande perda para a sua família e para os seus amigos. Desde logo, porque partiu um homem de bem e um excelente ser humano. Homem de valores e de princípios na vida e na política. Sério, íntegro e genuíno. Genuíno é mesmo um bom adjetivo para o definir. O homem e o político. Ambos. Não havia disfarces, dualidade e preocupações com a imagem. Era na política como era na vida: com os seus valores e princípios, com a sua simplicidade e humildade. Genuíno!
Os Açores e o Faial ficaram imensamente mais pobres pois perderam um dos seus políticos de maior dimensão, com forte intuição e com uma singular capacidade de intervenção. Um estadista. Foi o único cidadão que, até hoje, exerceu a Presidência da nossa Assembleia Legislativa e do nosso Governo. E fê-lo com grande competência, respeito e dignidade. Um homem que ajudou a fundar, a construir e a consolidar o nosso regime autonómico. É sem dúvida um dos pais da nossa Autonomia. Um político que soube entender e interpretar essa Autonomia como poucos, como um instrumento para promover o desenvolvimento integral e harmonioso das nove ilhas dos Açores. Sempre se bateu por isso. No ativo e mesmo quando já estava mais arredado.A sua forma de ser fez dele um homem e um político decisivo em muitos momentos da construção e consolidação da Autonomia.
A sua forma afável de ser e de atuar, o seu bom senso e a sua capacidade inigualável para estabelecer equilíbrios e consensos foram também colocados ao serviço dos Açores. Era um homem que nunca fechava portas. Pelo contrário, abria-as. Esteve sempre do lado das soluções.
O PSD perdeu um dos seus militantes mais brilhantes. Era um verdadeiro social-democrata. As reuniões do PSD/A e, sobretudo, os seus congressos nunca mais serão iguais. Faltarão as suas intervenções feitas com o coração, com emoção e com afetividade. Eram únicas! Falava dos Açores e do seu PSD com paixão e com amor. E sentíamos que esses sentimentos eram genuínos. Já tenho saudades das histórias que contava e das intervenções que fazia.
2. Aprendi muito com o Sr. Romão. A minha primeira participação na política foi em 1996, quando integrei a lista candidata às eleições regionais, liderada por ele. Era na altura Presidente do Governo Regional. Logo aí percebi a sua simplicidade. Não construía nem estabelecia barreiras. Colocava todos ao mesmo nível. Essa convivência permitiu-me reforçar o respeito e a admiração que já nutria por ele. Foi e será sempre uma das minhas maiores referências humanas e políticas.
Estou mesmo convencido que o PSD/Açores cometeu um erro histórico ao não o ter apresentado em 1996 como candidato a Presidente do Governo. Acho que tudo teria sido diferente.
Quando assumi, em 1999, a Presidência da Comissão Política do PSD/Faial, o Sr. Romão era Deputado Regional. Eu era um jovem sem experiência política mas nem por isso me desvalorizou. Pelo contrário, sempre me respeitou, ajudou e incentivou. Aí é que percebi a sua incomensurável humildade. Sabia sempre colocar-se no seu lugar. Ensinava sem falar. O seu exemplo e a sua forma de atuar eram suficientemente eloquentes.
Tive a honra de o ter como Presidente da Mesa da Assembleia de Ilha durante vários mandatos em que estive à frente do PSD no Faial. A sua presença era um referencial de confiança e estabilidade. Estou-lhe eterna e imensamente grato por isso.
Com o Sr. Romão aprendi, sobretudo, como se deve estar na política: para servir os nossos concidadãos, colocando sempre em primeiro lugar os legítimos interesses da nossa Terra. Com esse espírito ajudou muito o Faial.
Espero que a Região e o Faial sejam capazes de homenagear e perpetuar o exemplo e a memória de Alberto Romão Madruga da Costa.
Caro amigo Sr. Romão: já sinto uma enorme saudade! Até um dia!

