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Perante a maior crise económica e social da Autonomia, o PSD/Açores, no início da legislatura, mostrou disponibilidade para cooperar. Foi o que fez em diversas circunstâncias, nos dois anos que este governo regional leva de vida.

Apresentou inúmeras propostas, a diversos níveis, destinadas a atenuar as dificuldades das famílias e das empresas açorianas. Deu o benefício da dúvida em relação a documentos fundamentais para a atividade governativa, ainda que a estratégia subjacente aos mesmos já tivesse associados resultados pouco satisfatórios na governação socialista anterior. Nesse sentido, absteve-se em relação aos Orçamentos e Planos de 2013 e 2014.

A situação a que se chega, quase dois anos passados, a ter um responsável, não é certamente o PSD/Açores. Porque tudo fez para que não existisse qualquer tipo de obstáculo a um governo que se encontrava legitimado pelas eleições regionais de 2012. Não foi seguramente por sua causa que o governo socialista deixou de poder construir soluções para os problemas dos Açorianos.

O PSD/Açores fez o seu papel. Os Açorianos, obviamente, fizeram também o que lhes cabia. O governo, infelizmente, ficou parado à espera que o destino resolvesse os problemas que lhe competia resolver.

Desfez-se em desculpas. Mas esqueceu-se, ou eventualmente furtou-se, de apresentar soluções.

Dois anos volvidos, os Açores empobreceram.

A economia açoriana definhou, no verdadeiro sentido da palavra. Reduziu-se, com significado, a produção de riqueza, o que aliás já vinha acontecendo com Carlos César nas rédeas da governação. Basta, para o efeito, constatar a redução do Produto Interno Bruto açoriano já conhecida até 2012. Tendo estado já próximo de 3,800 milhões de euros, recuou, naquele ano, para um valor inferior a 3,600 milhões de euros.
As empresas vivem momentos muito difíceis. Quer porque a conjuntura lhes tem sido altamente desfavorável, quer porque são penalizadas por significativos atrasos de pagamento por parte do governo regional.

As famílias passam por momentos verdadeiramente aflitivos. O desemprego atingiu níveis nunca alcançados em tempo de Autonomia. É o maior do país. A pobreza alastra de forma preocupante e coloca em risco social uma cada vez maior quantidade de pessoas.

Vive-se hoje nos Açores um momento dramático para muitas famílias e empresas. Com vontade para “dar a volta”, assistem, contudo, à inação de um governo que se deixou ficar de braços caídos. Sem soluções e permanentemente afogado em desculpas.

É este o contexto em que se inicia hoje, no Parlamento dos Açores, o debate do Plano e Orçamento para 2015. Mantém as opções que têm caracterizado esta governação. Adivinham-se, consequentemente, os mesmos resultados que lançaram os Açores num dos períodos mais conturbados da sua história.

Teimar no mesmo modelo, como o governo de Ávila e Cordeiro se presta a fazer, significa não querer resolver os problemas com que os Açorianos se confrontam.

Faz sentido, perante a repetição dos erros do passado, voltar a dar o benefício da dúvida?

Claro que não. Porque os Açorianos precisam de mais.

A irresponsabilidade tem limites!