Antes de mais, faço aqui uma declaração de interesses:
Sempre tive – e para sempre terei – muita consideração política e grande estima pessoal por Alberto Romão Madruga da Costa.
Fui seu assessor no Governo, seu companheiro no Partido, seu amigo na Vida.
Mas basta conhecer o seu percurso de 40 anos de dedicação à causa pública para concluir que é o político mais completo dos órgãos de governo próprio da Região Autónoma dos Açores.
No órgão deliberativo, foi líder parlamentar e Presidente do Parlamento.
No órgão executivo, foi secretário regional e Presidente do Governo.
Trata-se, portanto, do único açoriano que presidiu aos dois órgãos representativos da Autonomia dos Açores.
Ficará na nossa história por ter assumido estes dois cargos.
Mas ficará no nosso coração pela maneira como exerceu estas funções.
E isso é ainda mais importante.
Vale mais o exemplo que se dá do que o poder que se tem.
Inclusivamente, serviu a sua Terra ainda antes dos órgãos de governo próprio da Região – como dirigente da Câmara Municipal da Horta e da Junta Geral do Distrito, desde o início da Democracia até ao início da Autonomia.
E serviu o seu Partido para além dos órgãos de governo próprio da Região – como presidente da Comissão Política e da Assembleia de Ilha do Faial ou como vice-presidente do PSD/Açores e presidente do Congresso Regional.
Foi sempre um social-democrata e autonomista, um faialense e açoriano, de corpo inteiro.
Presto aqui a minha sentida homenagem no sétimo dia do seu falecimento – antecipando até um previsível Voto de Pesar que o Parlamento dos Açores unanimemente fará – porque ele personifica e simboliza os verdadeiros valores da social democracia: o humanismo, a solidariedade e, superiormente, a humildade.
Madruga da Costa foi um “Comendador da República Portuguesa” mas preferia continuar a ser um “Freguês das Angústias da Horta”…
Paz à sua alma!

