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Conheci, há dias, uma família, nos arredores de Ponta Delgada, que está a passar dias muito difíceis.

O pai está desempregado. A empresa de construção civil onde trabalhava tem estado a despedir porque o governo não lhe paga as dívidas, que já acumulam os milhões de euros.

A mãe tem a sorte de ser funcionária pública. E, assim, lá vai trazendo para casa uns 570 euros.

O filho mais velho contribui para a estatística do insucesso escolar que coloca os Açores no topo do País.

A filha mais velha, mãe solteira, completou o 9º ano escolar. E deixou a escola. E anda por aí saltitando de estágio em estágio.

A filha mais nova aguarda nas intermináveis listas de espera para ser submetida a uma intervenção cirúrgica no nosso Hospital.

Como se tudo isto não bastasse, esta família tem a casa hipotecada à banca. E uma dívida por saldar. Mas, mesmo assim, diz-me que vai “investir” na compra de uma mota para o filho ir para a escola! Lá lhes vai valendo a ajuda caridosa da CÁRITAS.

Este triste caso fez-me lembrar o governo de Cordeiro e a herança que César lhe deixou, chamada “Casa da Autonomia”! “Investe-se” em caprichos! Lá lhes vai valendo as transferências de Lisboa e de Bruxelas.