Governo regional “marca passo” com Museu das Flores

O PSD/Açores acusou o Governo Regional de continuar “a marcar passo” com a recuperação do núcleo central do Museu das Flores, instalado no Convento de São Boaventura, uma vez que, “passados mais de seis anos, a ilha continua sem um museu governamental de corpo inteiro e sem um compromisso oficial da sua reabertura”, disse o deputado José Andrade.

” Mais facilmente se construiu de raiz o próprio Convento e a Igreja de São Boaventura no século XVII, com as obras iniciadas em 1641 e a primeira missa celebrada logo em 1650″, ironiza o parlamentar que, num requerimento enviado à Assembleia Legislativa, critica o executivo por, “este mês, e em mais uma visita anual às Flores”, nada ter feito de conclusivo em relação às obras do museu.

“As obras não foram inauguradas, como seria expetável, e nem sequer mereceram uma única referência entre os 24 pontos do comunicado final do Conselho do Governo. Ainda menos motivaram um esclarecimento público, depois da envergonhada visita que o Secretário Regional da Educação e Cultura realizou ao local, como seria obrigatório”, lembra José Andrade.

O social-democrata recorda que “o concurso público para a conservação da cobertura do convento foi lançado em junho de 2008, e o contrato da empreitada foi celebrado em abril de 2009, por cerca de meio milhão de euros e com um prazo de execução de três meses. Aliás, foi um processo mal instruído, que levou mesmo à recusa de Visto pelo Tribunal de Contas”, explica.

Segundo José Andrade, “o governo tem muitas explicações a prestar sobre todo este atribulado e nublado processo”, pelo que pediu razões para os factos à tutela, assim como “uma previsão efetiva de quando ocorrerá a reabertura plena do equipamento público e os valores da intervenção realizada”.

“Em pleno século XXI, e pelo sexto verão consecutivo, os turistas que tentam conhecer a história da ilha, em vez de visitarem um edifício de valor patrimonial e um acervo de interesse etnográfico, deparam-se com uma porta fechada ou com acesso limitado a uma mera exposição temporária”, lamentou.

“E melhor sorte não tem o núcleo secundário do Museu das Flores, instalado na antiga Fábrica da Baleia do Boqueirão”, acrescenta José Andrade, referindo que “essa obra também se arrasta no tempo. Adjudicada em junho de 2009, por cerca de um milhão de euros, com um prazo de execução de 7 meses, já passaram 63 meses e o espaço continua sem estar recuperado e oficialmente aberto ao público”, adiantou.

“São duas obras da (ir)responsabilidade do Governo Regional, com atrasos demasiado prolongados e que exigem o devido esclarecimento público”, reforça José Andrade, que pediu explicações idênticas também para esta intervenção, sublinhando que “o governo devia ainda justificar porque encerrou, ao mesmo tempo, os dois equipamentos do Museu das Flores, privando toda a ilha daquela oferta cultural por mais de seis anos consecutivos. Ainda por cima para realizar obras intermináveis”, concluiu.