Intervenção da Presidente do PSD/Açores na abertura do colóquio “Turismo no Triângulo”

Data: 2010-06-01

Pico, 1 de Junho de 2010

 

Caros oradores convidados

Senhor Presidente do Grupo Parlamentar

Senhoras e Senhores Deputados

 

O PSD quer servir os Açores.

O que nos importa é servir melhor os açorianos.

É esta a nossa vontade.

E, por isso, queremos ouvir as pessoas. As suas experiências de vida, os seus anseios e os desafios a que se propõem.

Queremos construir uns Açores de braço dado com os açorianos.

Não temos uma visão autista da política. A arrogância e a prepotência estão fora do nosso léxico político. Não fazem parte da nossa maneira de estar na vida.

No PSD/Açores temos uma escola de tolerância, de humildade democrática. Estamos sempre prontos a aprender com os outros.

O diálogo faz parte da nossa maneira de fazer política.

Estamos abertos a novas experiências, a novos modelos de desenvolvimento, a novos desafios.

Não estamos resignados à situação.

Até porque ela não é nada boa.

Por este andar, os Açores não chegam ao sucesso.

Estamos nesta caminhada, que tem por meta as eleições de 2012, disponíveis para ouvir os açorianos.

Ouvir os pais e encarregados de educação em relação ao futuro dos seus filhos.

Escutar os desafios da juventude açoriana, que quer apostar em cada ilha dos Açores como a terra das suas vidas, para trabalhar e constituir família.

Perceber as angústias dos mais idosos e sabermos o que de melhor podemos fazer por eles, para que tenham uma vida condigna.

Conhecer as propostas dos trabalhadores para combater o desemprego oficial e oficioso que grassa em todas as ilhas.

Debater com os empresários das micro, pequenas e médias empresas dos Açores as melhores soluções para um futuro mais seguro, onde a produção de riqueza e a criação de postos de trabalho sejam as medidas orientadoras da aplicação dos dinheiros públicos.

Ouvir os açorianos para construirmos um projecto comum. Sempre partilhado lado a lado. E nunca imposto de cima para baixo.

O PSD/Açores orgulha-se de ser um partido aberto à pluralidade de opiniões. Connosco, todos podem dizer o que pensam.

Damos espaço à iniciativa e à criatividade da sociedade civil.

Queremos uma sociedade onde haja lugar para a realização das capacidades pessoais. Que distinga e identifique os talentos individuais como contributo para o bem comum.

O PSD/Açores é um partido onde cada um reconhece a importância da sua opinião e o valor do seu voto, como contributo individual na condução do destino colectivo.

Nunca nos vão ouvir culpar os outros pelos males da sociedade.

Enquanto detentores de cargos políticos, os açorianos nunca nos ouvirão a atirar as dificuldades para cima dos empresários, dos técnicos da Administração Regional, dos dirigentes das Instituições Particulares de Solidariedade Social.

Bem pelo contrário.

Os empresários, os funcionários da Administração Regional, os dirigentes das associações representativas da sociedade civil são os nossos parceiros desta caminhada que é a construção de uns Açores melhores, mais justos, mais solidários e mais desenvolvidos.

A política não é um fim em si mesmo. Não é uma utopia. Só tem sentido se estiver ao serviço da sociedade em geral e das pessoas em particular e se servir de estímulo para dias melhores.

Não encaramos a acção política como um instrumento de poder que é utilizado para realização de interesses pessoais.

A acção política, para nós, tem por referencial as pessoas. As pessoas é que justificam e avaliam o mérito das políticas prosseguidas.

O PSD/Açores valoriza o exercício da cidadania activa.

A intervenção da sociedade na definição das opções políticas constitui uma garantia de sucesso para se alcançar o bem comum.

É por isso que estamos aqui, abrindo as Jornadas Parlamentares do PSD ao contributo da sociedade civil.

Estamos nesta promissora ilha do Pico para ouvirmos os empresários do sector turístico das três ilhas que compõem o Triângulo, para melhor conhecermos as suas opiniões sobre o desenvolvimento da nossa terra.

O PSD lançou aos agentes locais da sociedade civil o desafio de ouvir as suas opiniões sobre o desenvolvimento do turismo no Triângulo das ilhas Faial, Pico e São Jorge.

Fomos prontamente correspondidos e quero por isso agradecer a disponibilidade de participação dos nossos oradores convidados.

Contamos com os empresários presentes – e com tantos outros que nos têm prestado o seu contributo de diferentes formas – para construirmos um projecto de desenvolvimento que coloca os Açores acima dos Partidos.

Os tempos são de dificuldades, mas não podemos cruzar os braços. Temos que pôr mãos à obra.

Temos que saber valorizar as nossas características e aproveitar as nossas potencialidades.

O Triângulo, desde logo em termos de indústria do turismo, acrescenta valor aos Açores.

O Triângulo é já uma realidade social e económica, enquanto pólo turístico da Região. Só nos primeiros dois meses deste ano, o conjunto das ilhas Faial, Pico e S. Jorge representou 13% das dormidas e 14% dos proveitos totais do turismo açoriano.

O turismo em espaço rural, designadamente, é uma aposta ganha na ilha do Pico, tem grande potencial na ilha de São Jorge e conta com importantes unidades de alojamento na ilha do Faial.

Mas tem ainda muito caminho para andar.

A par deste segmento potencial da nossa oferta turística, o turismo termal/SPA, o turismo de habitação e os hotéis de charme de dimensão familiar são projectos muito adequados para estas três ilhas, na medida em que garantem auto-emprego, não envolvem significativos custos fixos – permitindo enfrentar melhor dificuldades decorrentes da quebra de procura – e asseguram sustentabilidade ambiental e urbanística.

A riqueza do património edificado das nossas ilhas requer este tipo de preocupação.

As nossas vilas têm uma imensa riqueza patrimonial dos séculos XVIII e XIX que temos a responsabilidade de preservar.

Nessa medida, o Grupo Parlamentar do PSD na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores vai avançar com uma iniciativa legislativa que visa a abertura de uma linha de crédito para a reabilitação urbana do património particular.

As autarquias açorianas não tiveram acesso ao Polis nem dispõem de fundos comunitários susceptíveis de serem direccionados para a reabilitação urbana, porque estes projectos não foram contemplados no protocolo celebrado entre o Governo Regional e as Câmaras Municipais.

Por isso impõe-se criar agora uma linha de crédito, com juros suportados pelo governo, orientada para os privados que queiram recuperar os seus imóveis nos núcleos históricos dos nossos centros urbanos.

Uma medida desta natureza tem duas vantagens:

Primeiro, preservar o património edificado e potenciá-lo como uma mais-valia em termos económicos, turísticos e culturais.

Segundo, lançar um conjunto de pequenas obras de dimensão compatível com as empresas locais de construção civil, muito importante para a reanimação económica desse sector na conjuntura actual.

Caso esta nova iniciativa venha a ter o mesmo destino de tantas outras que apresentámos – e que foram chumbadas pelo PS só porque foram propostas por nós – fica desde já o compromisso de que um futuro Governo do PSD, em 2012, aprovará e aplicará estas medidas.

Neste, como noutros domínios, há ainda muito a fazer. Nos Açores em geral e nas ilhas do Triângulo em especial.

Faial, Pico e S. Jorge evidenciam um potencial de grande valor para a indústria do turismo regional.

O sector do turismo tem fortes potencialidades no pólo de desenvolvimento do Triângulo.

Há que fazer as apostas certas – respeitando e potenciando a realidade de cada ilha – e incentivar a procura para este tipo de destino turístico, desde logo com a sua forte ligação ao mar, mas também com uma ligação proveitosa à actividade agrícola e pecuária.

Criar roteiros associados ao queijo, ao vinho ou às flores é tão simples e proveitoso como apostar no Bird Wachting, nos passeios de costa ou na pesca artesanal com a participação de turistas.

Convém igualmente implementar actividades complementares como a organização de eventos, o cattering, o artesanato e, em geral, o turismo de incentivos de pequena escala.

Sabemos que há aqui um enorme potencial que deve ser aproveitado conjugando empreendedorismo, inovação, tecnologia e boas práticas ambientais. É por isso que estamos a ouvir as forças vivas do Faial, do Pico e de S. Jorge – empresários, trabalhadores, responsáveis autárquicos e dirigentes associativos – para melhor traçarmos um rumo que traga o verdadeiro desenvolvimento dos açorianos residentes nas três ilhas.

As potencialidades dos sectores produtivos, como é o caso do turismo, que visam a criação de riqueza, o fomento do emprego e a coesão social, poderão ser ampliadas ou ficar estranguladas pelas políticas e estratégias que forem assumidas para o sector dos transportes.

Aliás, os transportes, sejam aéreos ou marítimos, constituem um dos instrumentos estratégicos da construção da unidade das ilhas e do desenvolvimento dos Açores.

As actividades turísticas que têm a nossa Região como destino relançam a importância do transporte aéreo. E, no caso concreto do Triângulo, para além do transporte aéreo, há que ter em conta a mobilidade interna por via do transporte marítimo de passageiros, sejam residentes ou turistas.

Impõe-se, por isso, repensar se o actual modelo de transportes serve ou não os interesses do Triângulo.

As políticas têm que estar sempre ao serviço das pessoas.

Queremos, conjuntamente com os açorianos, abrir um tempo novo do progresso das nossas ilhas.

Para nós não há ‘ilhas de primeira’ e ‘ilhas de segunda’.

Todas as ilhas são importantes.

Cada ilha tem a sua importância própria.

É por cada uma e por todas as ilhas que estamos hoje aqui a pensar o futuro.

Em Dia da Criança e nas Ilhas do Futuro, reafirmamos a nossa aposta no Turismo como um sector estratégico para as novas gerações do Triângulo e dos Açores.

Estamos prontos a aprender com quem tem do turismo um saber de experiências feito.

Com a vossa experiência e com a nossa determinação, venceremos em conjunto este novo desafio.

Muito obrigada aos oradores convidados.

O vosso contributo conta no nosso projecto.