Governo reduz visitas estatutárias a “mero formalismo”
Publicado em 04 de Outubro, 2018

Bruno Belo defende que as visitas estatutárias do Governo regional não podem ser reduzidas ao cumprimento da obrigação estabelecida no Estatuto Político-Administrativo. Para o deputado do PSD/Açores eleito pelas Flores, essas visitas devem ser aproveitadas para o executivo “devolver a esperança às populações”.

Segundo o social-democrata açoriano, na visita estatutária do Governo regional à ilha das Flores, esta semana, “ficaram a faltar sinais de esperança para uma ilha que vê sucessivamente adiados compromissos assumidos há vários anos pelo executivo, assim como respostas para os problemas que afetam a ilha”.

“No memorando do Conselho de Ilha das Flores, que foi entregue ao Governo, foram reinscritas 70% das reivindicações que já haviam sido apresentadas em 2017. Isto quer dizer que ao longo de um ano o executivo regional não foi capaz de atender às reivindicações de quem aqui vive, trabalha e investe”, explica.

Esta “paralisação do Governo nas Flores” é bem evidente no caso da casa de madeira colocada no interior da ilha, que nunca foi utilizada, e que, por via das intempéries, está num avançado estado de degradação. Em 2017, o Governo comprometeu-se com a deslocação da casa para a Fajã Grande mas nada fez.

“O que se nota com cada vez maior clarividência é que o Governo está esgotado, sem paciência para as pessoas e sem capacidade de apresentar soluções para os problemas das ilhas mais pequenas. É um Governo que não compreende as especificidades das ilhas mais pequenas, com graves prejuízos para estas”, diz.

Bruno Belo acusa do Governo liderado por Vasco Cordeiro de “ter votado ao desprezo e ao abandono o posto de saúde nas Lajes durante seis anos” — a sua reabilitação só agora foi anunciada — e de “ter mantido inoperacional, também durante vários anos, a piscina de hidroterapia por falta de segurança”.

Também no que respeita ao setor da Educação, Bruno Belo acusa o executivo açoriano de “passar ao lado das especificidades das ilhas mais pequenas”.

“Prova disso é o facto de serem exigidos a estas ilhas o cumprimento dos critérios para a abertura turmas, no caso uma turma de Física de 12.º ano, cuja abertura não foi autorizada por existirem poucos alunos. Isto, apesar de existir na escola em causa um professor disponível para lecionar a disciplina”, explica.

Entre as exigências dos florentinos que ficaram também sem reposta está a solução para os constrangimentos no estacionamento no aeroporto e a segunda fase da reabilitação do porto das Poças, que fica mais uma vez adiada — embora a governação socialista a tenha prometido há vários anos “mas, segundo se diz, as verbas regionais para a sua execução foram tapar outros buracos”, conclui.