“Participar”: Um desafio jovem – Opinião de Mónica Seidi
Publicado em 12 de Agosto, 2018

A participação juvenil, assente no diálogo entre os agentes políticos e os jovens, é cada vez mais necessária na construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Onde a democracia e o respeito pelos direitos humanos deverão ser prioridades.

Falar em juventude é sempre um desafio constante. Sendo que um dos grandes objetivos atuais passa por, simplesmente, ter os mais novos a “participar”. Como acontece com os mais velhos, e nos mais variados assuntos, os jovens optam, frequentemente, por não se envolverem, sendo muitas vezes considerados um grupo de “difícil acesso”. Esta constatação faz-nos atentar nas formas utilizadas para “incendiar” a sua mobilização, na medida em que devem ir ao encontro dos seus interesses, necessidades e até mesmo dificuldades.

Na nossa sociedade, é muitas vezes focada a ideia de que, para “participar”, terá de haver algum tipo de ganho pessoal ou social, afastando-se assim muitos dos possíveis contributos, e colocando os jovens à margem das soluções. Trata-se de uma ideia pré-concebida, que requer ser “desmontada” por todos nós, com o intuito de conseguirmos ganhar credibilidade, cativando assim os jovens para as mais diversas atividades democráticas e cívicas.

Delegar nos jovens as tomadas de decisões será um ponto chave para que desenvolvam os sentimentos de domínio e responsabilidade na vida em comunidade. Terão assim um papel ativo nas suas próprias vidas, e na sociedade em que se encontram inseridos. Contudo, as diferentes realidades atuais espelham diferentes níveis de participação dos jovens nas tomadas de decisão, inclusivamente no que diz respeito a um to tão elementar como votar. O dever cívico mais elementar.

Felizmente também se verifica o contrário, e existem variadíssimos exemplos em que são os jovens a dedicar-se apaixonadamente a matérias que lhes interessam verdadeiramente. Mesmo se, por vezes, essa participação é pouco sustentável. Ser jovem na atualidade é completamente diferente do que sucedia há 20 anos. O desenvolvimento das redes sociais e o uso constante da Internet possibilitam, nos dias que correm, um maior acesso à informação, motivando também os jovens que assim apresentam mais empenho sobre determinadas questões. Pena que, por vezes, esse seja um gosto volátil e que se resume a uma sucessão de “clicks”.

De forma transversal, deve referir-se que as autoridades públicas devem apoiar e fortalecer ferramentas que incentivem a participação dos jovens. Tão ou mais importante, devem igualmente acolher os contributos dados, para que posteriormente se sintam os seus impactos. Se pensarem que estão a desperdiçar tempo, certamente vão evitar futuras mobilizações.

Os jovens de hoje sabem perfeitamente o que o que querem, pelo que existe a necessidade de os ouvir, facilitando assim a sua participação e o seu envolvimento. Esse é um desafio que não pode ser ignorado. Vamos a isso! Todos.