Notas do Plenário – Opinião de Mónica Seidi
Publicado em 03 de Agosto, 2018

Recentemente decorreu o plenário referente ao período legislativo de julho. Anteviam-se dias intensos, atendendo aos assuntos que preenchiam a agenda, nomeadamente as questões direcionadas com a Educação. Pela primeira vez na atual legislatura, as galerias da sala estiveram cheias de professores insatisfeitos com o Executivo socialista, assistindo civilizadamente aos trabalhos parlamentares, e guardando os assobios para a concentração realizada em frente à Assembleia. Nas galerias, manifestaram-se de forma simbólica contra a aprovação do projeto de resolução do PS, que de plenário em plenário está cada vez menos aberto ao acolhimento contributos dados pela oposição.

O atual Estado político e económico da Região é tudo menos “cor-de-rosa”. E nesta sessão isso mesmo ficou mais uma vez demonstrado. Os argumentos do PS para não resolver imediatamente o “problema” dos professores são totalmente descabidos. Convém lembrar que, em questões de Educação, a região tem autonomia, pelo que pode decidir conscientemente o que fazer, ainda mais quando o membro do Executivo com competência na matéria diz que o problema não é dinheiro… Por mais que os deputados do PS tentem explicar o inexplicável, esquecem-se sempre de referir que, na República, há um governo da mesma cor. E um líder parlamentar chamado Carlos César! E por isso chamámos à atenção para as consequências da atual posição do Executivo, que coloca assim a Autonomia em verdadeiro “stand by”, a aguardar pela decisão de Centeno e pela ordem de César.

A interpelação do CDS/PP relativamente ao Estado Político, Económico e Social da Região, onde se poderia debater um pouco de tudo, foi mais vocacionada para as questões sociais. De facto, os Açores lideram em várias áreas, e pelas piores razões possíveis. E se já é grave que o partido que suporta o governo não reconheça os números apresentados por várias entidades credíveis, pior ainda será quando alguns dos deputados intervenientes no debate não reconhecem que os resultados da governação socialista – do ponto de vista social – são uma verdadeira catástrofe.

Os Açores lideram nos rankings nacionais de subdesenvolvimento humano. Na taxa de pobreza, no número de vítimas de violência doméstica ou no número de beneficiários do Rendimento Social de Inserção. Por cada 100 açorianos, com 15 ou mais anos, 12 usufruem daquele apoio. Este é o verdadeiro estado social da nossa Região! Seria de esperar que, ao longo do debate, e após várias questões colocadas ao Governo Regional, fosse explicado aos açorianos o “caminho” que nos trouxe até aqui, mas tal não aconteceu. Apesar dos números, o Executivo do PS tarda em reconhecer o enorme falhanço da sua governação.

Seria injusto não reconhecer que os Açores são uma região diferente, para melhor, comparativamente há 21 anos atrás. No entanto, o caminho proposto pelo PSD/Açores seria outro, assente num modelo de desenvolvimento económico harmonioso e complementar entre as diferentes ilhas, com o objetivo da criação de valor. Contudo, o que assistimos ao longo destes anos é fruto de um governo que não governa para resolver os problemas da população. Vive antes preocupado com a sua sobrevivência política, descurando a sustentabilidade e o progresso social de todos os açorianos. Não servindo assim os verdadeiros desígnios da autonomia regional.