PSD/Açores quer saber se Governo está disponível para abrir concurso para gestão do Solar da Glória entregue à ARRISCA
Publicado em 02 de Julho, 2018

Os deputados do PSD/Açores querem saber se o Governo regional está disponível para abrir um concurso para a gestão e exploração do Solar da Glória, a primeira unidade de tratamento e reabilitação juvenil da Região prometida há 10 anos pelo executivo açoriano que foi entregue, sem concurso, à ARRISCA.

Carlos Ferreira, que falava em conferência de imprensa à porta do Solar da Glória, em Ponta Delgada, que continua fechado depois de ter sido alvo de obras com vista à sua requalificação e adaptação a comunidade terapêutica, explica que em causa está a “falta de transparência de todo este processo”.

“O Governo regional entregou a gestão e exploração do Solar da Glória à ARRISCA, sem que quaisquer outras instituições tenham tido a possibilidade de se candidatem à gestão e exploração desta unidade de tratamento. Aquilo que se exigia e exige é que o Governo abra um processo claro, justo e transparente para concessionar a gestão desta comunidade terapêutica”, explicou.

Segundo o deputado, que anunciou a entrega de um requerimento do grupo parlamentar do PSD/Açores no parlamento a questionar o Governo sobre se está disponível para abrir um concurso, “existem instituições com conhecimento e experiência nesta matéria que estão interessadas na gestão do Solar da Glória”.

“Temos contactado com instituições que estão interessadas na gestão do Solar da Glória e que têm capacidade para arrancar com o funcionamento da unidade no imediato, materializando um trabalho que queremos ver realizado para benefício do tratamento das dependências e da saúde da comunidade”, afirmou.

Carlos Ferreira frisou que o arrastar, nos últimos 10 anos, da abertura daquela que será a primeira comunidade terapêutica da Região tem-se traduzido num “enorme prejuízo para o tratamento das dependências nos Açores”, região do país com os piores indicadores em matéria de droga e toxicodependências.

“O arrastar, durante 10 anos, deste processo de abertura do Solar da Glória é culpa única e exclusiva do Governo regional, que parece andar à deriva sem saber o que fazer destas instalações que adquiriu e recuperou”, salientou.

“É importante que esta unidade de tratamento entre em funcionamento o mais rápido possível e não será a abertura de um concurso para a gestão e exploração do Solar da Glória que vai atrasar ainda mais a sua entrada em funcionamento, porque existem instituições prontas para começar”, assegurou.

O Solar da Glória foi adquirido pela Região em 2008, ano de eleições. O então presidente do Governo, Carlos César, justificou a aquisição do imóvel com a entrada em funcionamento da primeira comunidade terapêutica dos Açores.

Em 2012, também ano de eleições regionais, foi lançada a primeira pedra das obras de requalificação. Em 2014, o então secretário regional da Saúde, Luís Cabral, anunciou a abertura da unidade de tratamento para 2015. Em 2017, Rui Luís anunciou que as instalações estavam prontas e que faltava apenas o mobiliário.

“Estamos em 2018 e, 10 anos depois, o Solar da Glória ainda não está a funcionar, estando prevista a sua abertura, segundo o Governo, para o último trimestre do ano, com gestão e exploração da ARRISCA, considerada pelo executivo como ‘a única entidade com competências para o efeito’, sem que, porém, nenhuma outra entidade tenha sido ouvida sobre essa matéria, conforme declarou o Governo no parlamento quando questionado sobre o assunto”, concluiu Carlos Ferreira.