PSD/Açores confronta Governo regional com o “cenário dantesco” dos centros de processamento de resíduos de São Jorge e da Graciosa
Publicado em 16 de Maio, 2018

Os deputados do PSD/Açores no parlamento açoriano confrontaram hoje o Governo regional com o “cenário dantesco” dos centros de processamentos de resíduos de São Jorge e da Graciosa, a prova de que as políticas de prevenção e de gestão de resíduos e as políticas ambientais estão a falhar na Região.

“Constatamos que a política de prevenção e de gestão de resíduos é uma no papel, onde até as estatísticas são claramente deturpadas e falseadas, e outra no terreno. O que encontramos nos centros de processamento de São Jorge e da Graciosa foi um cenário dantesco que demonstra bem que o Governo regional abandonou a fiscalização dos centros”, explicou Catarina Chamacame Furtado.

A deputada do PSD/Açores, que fez uma declaração política na sequência das visitas do grupo parlamentar do PSD/Açores aos centros de São Jorge e da Graciosa, em abril e maio, sublinhou que a concessão dos centros de processamento “não desresponsabiliza o executivo das suas competências, como a seja a fiscalização para garantia do cumprimento das obrigações constantes dos cadernos de encargos”.

“Condições de trabalho indignas; instalações imundas; amontoados de lixo que chegam até ao teto ou até mesmo transbordam para fora de portas; equipamentos inoperacionais e práticas ambientais ilegais, como o derrame de sangue proveniente de animais abatidos no matadouro em cima de cascalho, sem tela de impermeabilização, não podem continuar a ser silenciados”, advertiu.

Catarina Chamacame Furtado salienta que estes e outros casos são a prova de que a “operacionalização da estratégia de gestão de resíduos nos Açores”, no âmbito da qual foram construídas infraestruturas em todas as ilhas, baseadas em unidades de valorização orgânica, e através da qual foi determinada a selagem dos aterros, “está a falhar e carece de uma transformação estrutural”.

“A selagem dos aterros resvalou para além de 2016 e em algumas ilhas com aterros selados estão a ser abertos buracos para fazer desaparecer algumas toneladas de resíduos, não só dos centros de processamento de resíduos, mas também dos relatórios e das estatísticas”, denunciou.

“Além disso, em quase todas as ilhas é produzido um composto sem qualidade e sem possibilidade de escoamento para o mercado, mas que nas estatísticas contribui de forma enviesada para as metas a que estamos obrigados”, alertou ainda a deputada e porta-voz do PSD/Açores para o Ambiente e Energia.

Em 2016, Vasco Cordeiro, presidente do Governo regional, afirmou, em Santa Maria, aquando da inauguração do centro de processamento de resíduos daquela ilha, que até então haviam sido investidos 38 milhões de euros em centros em todas as ilhas, e destacou o contributo dos centros para dar expressão prática à economia verde para a criação de emprego na Região.

“Talvez fosse revelador saber se hoje o Presidente do Governo, após uma visita a qualquer um destes centros, iria regozijar-se com as condições destes postos de trabalho em centros que não deveriam ser um barracão numa batalha perdida contra a ferrugem, nem tão pouco um santuário para ratos e baratas”, instou a deputada durante a declaração política do PSD/Açores.