Orquestração – Opinião de João Bruto da Costa
Publicado em 14 de Maio, 2018

Num mal disfarçado desafino político, a orquestra toca em uníssono duas partituras diferentes. De uma banda uns afinam pela odiosa memória de Sócrates e o quanto esse recalcamento os faz perorar pelas vergonhas do presente. São o naipe dos metais que estrondosamente se fazem ouvir nesse divórcio simulado e de arrependimentos duvidosos.

Nas suas pausas para tomar fôlego, surge o naipe das cordas, menos efusivos, mas afinadinhos pelo diapasão da injustiça para com o homem presumido inocente até prova em contrário. Escondendo, porém, uma cumplicidade para além desta.

Costuma dizer-se que em política o que parece, é. E neste pré-julgamento do homem que conduziu o país ao resgate externo e aos sacrifícios coletivos, coincide o pré-julgamento pela governação que sucedeu ao sacrifício dos que, mesmo vitoriosos, se viram arredados por esse outro desafino da tríade de dadores de benesses que o povo paga em aplausos inebriados e cuja ressaca pode trazer o assobio ao maestro de uma orquestra com uma harmoniaque se desvanece ao longo do espetáculo.