Berta Cabral: “Cortes dos apoios europeus são má notícia mas nem tudo está perdido”
Publicado em 05 de Maio, 2018

A deputada do PSD/Açores na Assembleia da República, Berta Cabral, reconhece que o resultado apresentado pela Comissão Europeia (CE) sobre o novo Quadro Financeiro Plurianual “foi uma má notícia para Portugal”, embora sublinhe que “nem tudo estará perdido, pois vão agora iniciar-se as negociações com cada um dos estados-membros”, referiu.

A social democrata lembra que o PSD apoiou, “desde sempre, a exigência, junto da CE, de que pelo menos se mantivessem as verbas do último quadro comunitário de apoio”, pelo que “estas reduções, de 7% na Coesão e 5% na PAC, são preocupantes”, alerta.

Segundo Berta Cabral, “Portugal tem de fazer valer que é um país com muitas assimetrias regionais, com problemas demográficos, com grande necessidade de coesão territorial, especialmente nas suas regiões ultraperiféricas (RUP)”, sublinha.

A deputada do PSD/Açores considera mesmo que “as RUP portuguesas são um trunfo inquestionável que o nosso país nunca conseguiu jogar adequadamente junto da Europa. É preciso frisar isso junto de Bruxelas, tratam-se de duas regiões com handicaps permanentes, fruto da sua geografia, da sua insularidade – dupla insularidade, no caso dos Açores -, de todos os seus constrangimentos económicos, mas com o potencial acrescido em virtude da sua posição geoestratégica”, adianta.

“Portugal tem de jogar com o estatuto de ultraperiferia, que os Açores e Madeira conseguiram no Tratado da União Europeia (UE), e que confere mais verbas para Portugal, para os Açores e para a Madeira”, alerta.

Do mesmo modo, “tem de ser sempre lembrado à UE que os Açores são a fronteira marítima europeia e, como tal, devem ser valorizados como parte integrante e essencial no potencial do nosso país”, defende Berta Cabral.

“Foi um mau começo, este anúncio dos fundos comunitário pelo presidente Juncker”, considera a deputada açoriana, “mas julgo que há ainda um longo caminho a percorrer em termos de negociações e Portugal não pode deixar que esta prevista redução seja efetiva”, acrescenta.

Berta Cabral recorda que o PSD “deu todo o apoio ao Governo, assinando mesmo um Acordo para reforçar a posição negocial de Portugal, e para mostrar à UE que os dois maiores partidos estão juntos no interesse nacional de conseguir o maior número de verbas comunitárias possível, pelo menos o mesmo que foi atribuído no último envelope financeiro da Europa”, concluiu.