O que nos trouxe a visita do Governo – Opinião de Jorge Jorge
Publicado em 17 de Abril, 2018

Entre os dias três e cinco de abril o Governo Regional esteve pelo Pico na sua visita estatutária anual. O balanço da mesma parece-me óbvio, o Governo Regional veio acudir a “alguns fogos” que surgiram e tratar com pensos rápidos algumas maleitas que requerem outro tipo de procedimento. Medidas ansiadas e fundamentais para o desenvolvimento da ilha, nem promessas, devem estar a aguardar melhor oportunidade, ou seja, um próximo ato eleitoral para que sejam prometidas e depois adiadas consecutivamente.

A saúde é uma questão que deveria estar na primeira linha das políticas do Governo Regional para os Açores e naturalmente para a ilha do Pico, é fator essencial e estruturante para o crescimento turístico, mas sobretudo  para servir a população da ilha  cada vez mais envelhecida. Os cuidados de saúde nas Lajes do Pico estão pelas ruas da amargura, o atual Centro de Saúde não reúne as mínimas condições de funcionamento e tarda a empreitada de beneficiação das infraestruturas, e que apenas “(…)colmatará algumas necessidades imediatas e por essa via é extremamente necessária, não invalida a necessidade de se encontrar uma solução definitiva que passará inevitavelmente pela construção futura de um novo Centro de Saúde nas Lajes do Pico, moderno com melhores condições, valências e reforço de serviços. Vinca-se que a resolução do problema da saúde no concelho das Lajes do Pico é inadiável” (in: memorando do Conselho de Ilha).

O Porto das Lajes do Pico não recebeu a devida atenção por parte dos governantes, que ignoram ano após ano as reivindicações de quem ali trabalha nas diferentes vertentes. Um porto que movimenta mais de vinte mil turistas por ano, que não tem o mínimo apoio a esta atividade é lamentável e inadmissível. O núcleo de pesca do porto das Lajes do Pico continua a não ter um armazém de recolha de pescado em condições de higiene adequadas, continuando a funcionar num pré-fabricado totalmente degradado e ferrugento, alvo de continuadas queixas por parte dos pescadores. Pela “enésima” vez foram prometidas casas de apresto, que já deveriam há muito estar atribuídas, mas com uma localização péssima que irá por em causa o desenvolvimento futuro da baía das Lajes, e que não servirem os pescadores adequadamente. Será mais uma pequena obra “engavetada” num espaço exíguo e não uma obra com perspetiva de futuro.

O porto das Ribeiras continuará a sua degradação acelerada e acentuada, o quebra mar que tem de ser reposto e supostamente a estrutura do molhe consolidada, bem como, a proteção que é necessária à piscina e às moradias daquela área, aguardarão promessa para futuro ato eleitoral. O caminho da Rosada obra que deve envergonhar os responsáveis desde autarquia ao governo, passando pelos serviços florestais da ilha, continua envolto em meias verdades e completas mentiras, como é exemplo a resposta ao requerimento que fiz ao Governo Regional sobre o mesmo, também deve aguardar ato eleitoral para a sua conclusão. Na ponta da ilha as obras no Paúl da Ribeirinha que conheceram avanço nas vésperas da visita do governo, devem estar em vias de ser novamente suspensas, até nova visita do governo ou período eleitoral, enquanto o Centro de Formação Agrícola Matos Souto continua teimosamente a não funcionar como um verdadeiro centro de formação na área da agricultura.