Em prol do desporto regional – Opinião de Mónica Seidi
Publicado em 23 de Abril, 2018

Discutiu-se esta semana, na Assembleia Regional, um projeto de resolução, apresentado pelo PPM, que visava a criação de seleções desportivas açorianas.

Como no passado, o PSD/Açores compreende o princípio subjacente e identitário do diploma, na medida em que também comunga da opinião de que o Desporto é um fenómeno social que pode afirmar a autonomia de uma região.
No entanto, a realidade desportiva da Região ainda não nos permite votar favoravelmente o mesmo. Há ainda um caminho a percorrer, de forma a otimizar o modelo de desenvolvimento desportivo dos Açores, apesar de reconhecermos o esforço diário, e muitas vezes heroico, dos nossos atletas.

Mais importante do que ser contra ou a favor do referido diploma, será aproveitar a sua discussão para refletir sobre as condições de trabalho diário de todos os atletas, assim como de todos os intervenientes no sector desportivo. Esta é uma opinião também partilhada pelos atletas, clubes e associações, que se pronunciaram no âmbito da iniciativa, apelando à discussão da evolução do desporto regional, direcionada em particular à formação e ao alto rendimento, à promoção do treino e à partilha de experiências com desportistas nacionais e estrangeiros, possibilitando assim aos praticantes uma melhor preparação para as provas. Já que os novos desafios são muitas vezes percursores de melhores resultados.

Por parte do Executivo açoriano, ficamos a saber que os Centros de Treino, infraestruturas que possibilitam melhores condições à preparação dos atletas, não são uma prioridade atual, apesar de prometidos no passado.

Ficamos também a saber que, em 10 anos, o número de atletas de Alto Rendimento passou de 15 para 20, apesar do regozijo governamental relativamente ao elevado número de atletas federados (cerca de 23 mil). Será esse um número aceitável? Não ambiciona o Governo Regional dos Açores ter sustentabilidade na prática desportiva de excelência?

Mas mais uma vez reforço que seria injusto não reconhecer os êxitos alcançados por todos os desportistas da Região. Apenas gostaríamos que, num futuro próximo, eles fossem ainda mais.

Ao invés, parece-nos que algumas das medidas inscritas no programa de governo não serão mesmo para cumprir pois, ao fim de 17 meses de governação, continua por criar o gabinete de apoio aos atletas de alto rendimento e jovens talentos regionais. E essa seria certamente uma boa medida.

Há ainda um longo caminho a percorrer! E o Governo açoriano tarda em definir, de forma clara e responsável, as prioridades. Ou melhor, um plano estratégico de desenvolvimento vocacionado para o alto rendimento e para o atleta, pois só assim poderemos atingir de forma sustentada um patamar de excelência, que nos permitirá sonhar com a criação de seleções desportivas e outros êxitos.

PS- Tomás Amaral, atleta do Clube de Actividades Gímnicas de Ponta Delgada sagrou-se recentemente vencedor da Taça do Mundo no Open Internacional de Ginástica no escalão juvenil. Este atleta, que precisa de um tapete 10 x 10 metros, treina apenas duas vezes por semana por falta de infraestruturas disponíveis.