Defender o Pico e os Açores – Opinião de Jorge Jorge
Publicado em 05 de Abril, 2018

Nos dias três, quatro e cinco de Abril o Governo Regional estará na ilha do Pico, na sua visita estatutária que realiza a cada ano. Estas visitas eram encaradas e esperadas pela população como momento do executivo anunciar algo de novo, obras novas e estruturantes, para dar resposta aos anseios da população e perspetivar um futuro com esperança à ilha. No Pico infelizmente já poucos acreditam que estas visitas se traduzam em ações concretas que vão para lá da mera propaganda, já todos sabem que os comunicados do governo pouco ou nada acrescentam efetivamente à ilha para o seu futuro, para além de um arrazoado de palavras e de promessas que se repetem ano após ano, algumas há dezoito anos.

Nos transportes marítimos e aéreos temos a ilha “cercada”. O aeroporto revela-se pequeno para as aeronaves que o escalam nos voos para fora da região, não responde às exigências do turismo e comércio quer para exportar quer para importar, é deficitário nos sistemas de apoio que permitam maior segurança e menos cancelamentos como o ILS ou o Grooving. Estes sistemas já anunciados ano após ano e em dois mil e dezoito continuam a não existir em funcionamento no nosso aeroporto.

Aeroporto este que necessita de dar resposta ao aumento da procura do destino triângulo, que urge de um aeroporto central e adequado estruturalmente para poder tornar-se no destino de excelência dos Açores. O PSD propôs que o Governo Regional no seu orçamento para 2018 incluísse verba para que fossem feitos já os estudos e projetos para a sua ampliação e o PS chumbou. Obviamente que sabemos que não seria possível a realização da obra neste quadro comunitário de apoio, mas adiantava-se “serviço” e seria uma forma de ter o processo já em andamento para o próximo quadro comunitário. No entanto, não me causaria estranheza que o Governo Regional e o PS troçando dos picoenses e gerindo de acordo com o calendário eleitoral, venha a propor algo semelhante ao que chumbou, ou simplesmente dizer que vai fazer o que já há muito deveria estar feito como o Grooving por exemplo.

Nos transportes marítimos estamos na situação que é visível para todos, porto da Madalena que movimenta mais de quinhentos mil passageiros por ano, limitado operacionalmente, com os passageiros e doentes a embarcarem à chuva e ao vento nas viagens em que operam os Cruzeiros. O porto de São Roque em constantes indefinições e omissões ao sabor das conveniências eleitorais, limitado e a limitar as operações, porto este que na vertente comercial é o terceiro dos Açores.

O porto das Lajes onde o turismo movimenta mais de vinte mil passageiros por ano, principalmente de maio a outubro, não tem as mínimas condições de apoio a esta atividade, nem para a atividade da pesca. Para finalizar o Porto das Ribeiras que de quando em vez serve de alternativa comercial ou de passageiros, quando o estado de tempo não permite operação nos outros portos, está em acentuado estado de degradação, com falta de quebra mar em parte da sua estrutura, originando que a ação erosiva do mar se faça diretamente na estrutura, debilitando-a, estando segundo muitos, em risco de colapsar.

E na saúde vem o governo apenas anunciar uma sala para consultas, e promessas de novos serviços para o próximo período eleitoral?