A saúde está doente no Pico – Opinião de Jorge Jorge
Publicado em 26 de Abril, 2018

A recente visita estatutária do Governo Regional à ilha do Pico, não foi mais do que o cumprir de uma obrigação legal, não trazendo nada de novo à ilha do Pico. Esta foi uma visita vazia de conteúdo por parte de quem insiste em criar desesperança para a ilha e para as suas gentes, transmitindo aos Picoenses a mensagem de que desistiu de apostar no futuro da ilha. O Governo Regional trouxe pensos rápidos para tratar maleitas que requerem outro tipo de tratamento. As medidas fundamentais para o desenvolvimento da ilha nem tiveram honra de promessas, que com certeza e com todo o cinismo aguardam melhor oportunidade, ou seja, um próximo ato eleitoral.

O Partido Socialista e o Governo Regional apenas mostram interesses na gestão do voto e das expectativas dos picarotos, para tal fazem uso dos dinheiros públicos gerindo as necessidades estruturais da ilha de acordo com o caderno eleitoral, numa perspetiva minimalista e comezinha da ilha, com uma visão centralista dos Açores dando como adquirido que esta ilha não tem futuro. A nós, que pomos o interesse da ilha primeiro, tem-nos valido os picoenses empreendedores que não desistem da sua ilha.

Entre tantos aspetos que estão incompreensivelmente esquecidos pelo governo, a saúde ocupa a primazia, situação inadmissível em pleno seculo XXI. Esta é uma área que deveria estar na primeira linha das políticas do Governo Regional para os Açores e naturalmente para a ilha do Pico, porque é fator essencial e estruturante para o crescimento turístico, para fixar população, mas sobretudo para servir a população da ilha cada vez mais envelhecida. Neste setor estamos em plena regressão, as listas de espera para consultas de algumas especialidades atingem uma demora inadmissível e já nem os doentes oncológicos escapam ao desinvestimento na saúde, não encontrando a necessária resposta rápida e de qualidade que a sua situação exige e a que tem direito, sendo obrigados a mendigar favores para serem atendidos.

Os cuidados de saúde estão pelas ruas da amargura, o atual Centro de Saúde das Lajes do Pico não reúne as mínimas condições de funcionamento e tarda a empreitada de beneficiação das infraestruturas, e que apenas “(…)colmatará algumas necessidades imediatas e por essa via é extremamente necessária, não invalida a necessidade de se encontrar uma solução definitiva que passará inevitavelmente pela construção futura de um novo Centro de Saúde nas Lajes do Pico, moderno com melhores condições, valências e reforço de serviços. Vinca-se que a resolução do problema da saúde no concelho das Lajes do Pico é inadiável” (in: memorando do Conselho de Ilha).

Construiu-se um centro de saúde novo na Madalena, mas não se investiu para que aquela estrutura fosse devidamente aproveitada, ou seja, não é neste momento uma mais valia para a ilha como se comprova pelo consecutivo adiamento da hemodiálise.

“O Centro de Saúde de São Roque do Pico em termos funcionais, de manutenção do edifício, jardins e parque exterior. Esta infraestrutura já foi uma referência em termos de saúde, detendo uma arquitetura adequada ao harmonioso funcionamento de uma unidade de saúde, carecendo, atualmente, de uma profunda intervenção em termos de manutenção” (in: memorando do Conselho de Ilha). Será que o Conselho de Administração da USIP vai fazer como nas Lajes e deixar que esta estrutura se degrade, não proporcionando manutenção adequada? Nas Lajes, depois do protesto dos funcionários, foi feita manutenção no edifício e verificou-se que a maior parte dos problemas teriam sido evitados com a simples limpeza das caleiras e outras pequenas manutenções o que teria evitado enormes prejuízos e sobretudo a vergonhosa degradação das condições de trabalho para os funcionários.

O Pico está amputado devido à falta de ação e de visão regional do governo acolitado pelos “peões de brega” socialistas da ilha. O Governo Regional dos Açores que tem uma visão centralista do desenvolvimento da região, está a coartar à ilha e às suas gentes o desenvolvimento merecido.