A economia do mar no Faial – Opinião de Luís Garcia
Publicado em 19 de Abril, 2018

1. Os efeitos das deficientes acessibilidades aéreas ao Faial começam a preocupar seriamente o Partido Socialista local e regional. O último sinal dessa preocupação foi dado pelo Grupo Parlamentar do PS com a realização de umas jornadas parlamentares na nossa ilha. Sem boas notícias para darem aos Faialenses no domínio das acessibilidades, e em vez de ajudarem a resolver o problema, vieram com o objetivo de tentar desviar a atenção dessa temática incómoda e foi o próprio presidente daquele Grupo que revelou a tática quando afirmou que há mais vida para além das acessibilidades. Assim optaram por abordar as potencialidades da economia do mar no Faial com discursos ocos e promessas antigas.

2. Penso que ninguém tem dúvidas que os Açores e particularmente o Faial têm enormes potencialidades para desenvolver a designada economia do mar e com isso gerar riqueza e emprego. Para que tal se concretize são necessárias políticas e infraestruturas adequadas, participação dos empresários e conhecimento científico ao serviço das empresas.

Neste âmbito também existem muitos erros e omissões da governação socialista, ao longo dos anos, que condicionam o desenvolvimento de muitas das valências da economia do mar no Faial. Analisemos alguns desses erros e omissões.

3. Um dos ativos que mais contribui para que se diga que o Faial tem grande potencial no desenvolvimento das atividades e da economia relacionadas com o mar é o seu porto. Ora a questão que se coloca é se as políticas e os investimentos do Governo têm contribuído para desenvolver todas as valências da economia do mar no nosso porto? Todos sabemos que não! É verdade que os investimentos mais recentes permitiram melhorar significativamente as condições de embarque e desembarque de passageiros, mas é igualmente verdade que o novo cais, construído a norte, nasceu atrofiado e, a cada dia que passa, fica mais comprovado que não tem as condições necessárias para uma das valências para que foi inicialmente projetado: a de receção de grandes navios de cruzeiro.

No período entre o início do ano e o dia 7 de abril foram canceladas 50% das escalas de navios de cruzeiro na Horta. Só na primeira semana de abril cancelaram dois navios que trariam à Horta mais de 3500 turistas e que curiosamente ficariam fundeados fora do porto por incapacidade do novo cais.

Advogam alguns que estes cancelamentos aconteceram por causa de condições meteorológicas e de agitação marítima adversas, o que nem discuto. O que questiono é o que terá acontecido para que no passado perante previsões adversas os comandantes procurassem o porto da Horta para se abrigarem atendendo às excelentes caraterísticas do nosso porto e agora perante tais previsões decidem desviar as suas rotas para outros portos. Esta é que a questão que precisa de ser esclarecida.

4. Ao nível do setor da pesca também existem muitas lacunas na ação governativa que constrangem o seu normal desenvolvimento. São disso exemplo o adiamento do melhoramento do núcleo de pescas no porto da Horta e a degradação do entreposto frigorífico. A capacidade de congelação desta infraestrutura é inexistente, a tubagem dos túneis de congelação e o teto das câmaras frigoríficas estão rotos e os tanques de salmoura estão desativados há mais de quatro anos. A degradação é de tal ordem que já se fala no seu encerramento por falta de condições de segurança.

5. Muitos outros exemplos podem ser dados para avaliar a ação do Governo no desenvolvimento da economia do mar no Faial. Recordo o adiamento e a forma como tem sido conduzido o processo relativo à 2ª fase do reordenamento do porto, a falta de infraestruturas adequadas para as empresas marítimo-turísticas e para promover a reparação e manutenção naval (outros portos na Região estão a preparar-se para aproveitar essa lacuna), bem como, o adiamento da requalificação das instalações do Clube Naval.

Recordo igualmente promessas antigas e esquecidas, como a criação no Faial de um parque tecnológico e de um parque empresarial para atrair empresas relacionadas com o mar.

Neste contexto bem pode o PS prometer a aposta na economia do mar. Mas, na verdade, isso não passa de um discurso proclamatório e vazio, pois a prática governativa tem, como se comprova, contrariado tudo isso, comprometendo, em muitas valências, as potencialidades que o Faial efetivamente tem no domínio da economia do mar.